Tenho a teoria do abraço.
Na verdade, podemos ampliá-la para teoria do contato.
É claro que ninguém gosta de gente pegajosa. Ainda menos quem não se conhece direito. Daquela série “intimidade falsa que incomoda”.
Mas a minha teoria envolve gente que gostamos, que nos identificamos. Sou do tipo que gosta de dizer “eu te gosto” com as mãos. Acho que sou a fã número 1 do contato.
Vivo de abraços e beijos, e na minha teoria, eles alimentam a alma. Sorrisos cativam, abrem portas de amizades que talvez antes não existissem. Toques, olhares e afagos demonstram proximidade.
A teoria do contato prega pelo bom humor. Pela gargalhada estampada, pelo sentimento silencioso. Porque dá pra dizer tanta coisa sem usar palavras, que às vezes a gente esquece como se faz.
Principalmente nesse mundo de internet, onde a tela não transmite cheiro nem tom de voz. E onde um botão de “like” não diz o que o um sorriso o faria. Muito menos um RT diz “eu concordo” com um aceno de cabeça.
Compartilhar fotos, comentários, idéias e pensamentos na internet é essencial. Te faz sentir vivo e interativo. Desde que você não deixe de lado o toque.
As pessoas que podem lhe abraçar, dar um beijo e tomar uma cerveja juntos. Alguém que lhe conte uma piada sem graça e você dê um sorriso amarelo ou faça cara de ué ao não entender. Ou que gargalhe aos montes.
Que nunca lhe falte cafuné. Nem massagem nos pés. Muito menos dormir de conchinha.
Que nunca lhe falte alguém para beber um vinho, andar de mãos dadas ou chorar no colo.
Que nunca lhe falte alguém para lhe dar bronca, conselho ou te emprestar uma fantasia brega.
Que nunca falte vida real. Nós somos humanos, e PRECISAMOS de contato.
E se algum dia você me encontrar na rua, não tenha medo: me abrace! Eu vou adorar
Pois é minha gente. Mais um período capitalista chegando por aí (talvez o MAIOR de todos) – Também conhecido como Natal.
Ele passa o ano todo esperando pra chegar, fica bem no fim do último mês do ano, mas quando chega, faz valer o ano todo pra quem tem comércio.
Às vezes acho que brasileiro odeia o 13º salário. Poxa, não pode ver ele entrar na conta que gasta TUDO e mais um pouco até. É ser muito burro, ou muito consumista.
Sério, minha relação com Natal é um negócio meio que de amor e ódio. Acho lindo o clima que todo mundo fica, mais alegre, mais humano, sei lá. Adoro reunir todo mundo, celebar, comer até o cu fazer bico.
Mas odeio a obrigação que o Natal te dá de comprar. E presentes cada vez mais caros. O consumismo e capitalismo dessa época do ano são indiscutivelmente irritantes.
Onde trabalho por exemplo, estavam fazendo uma campanha para ajudar “crianças carentes” (sim, entre aspas, e você já vai entender porque). Eles pegaram cartinhas supostamente escritas para o papai noel e trouxeram para que nós atendêssemos as que estivessem ao nosso alcance. Claro que eu fui querer ajudar.
E terminei boquiaberta logo na primeira cartinha. A criança pediu um PlayStation3! Pensei comigo “esse aí viajou na batatinha. Vamos ver a próxima”. Uma bicicleta! “Caralho, eu não tenho grana pra dar uma bicicleta”, e peguei outra. Um Iphone, um tênis Nike e um óculos Rayban. “Mas que porra é essa?”. E desisti. Pedi desculpa pra moça, e disse que pelo que eu tinha lido ali, EU também era “criança carente”. Porque querer tudo isso eu também quero, mas não compro nem pra mim!
Fiquei pensando…Onde foram parar os carrinhos? As bonecas? As roupas, os acessórios? Lembra daqueles presentes simples que faziam o Natal mega feliz? CARALHO, eu JÁ tô ficando velha assim?
Outra coisa que também está se perdendo é a “pessoalidade” da coisa. Esses tais amigos secretos sorteados via internet, por exemplo. Cara, só falta enviar o presente pelo correio e ninguém nem vê a cara um do outro, que tal?
Me diz QUAL O PROPÓSITO de nem se ver? Pra que raios fazer amigo secreto então? Faça-me um favor né?
(Tá bom, deixa eu esclarecer uma coisa. Eu sou TOTALMENTE a favor de tecnologia. Adoro esses avanços, e acho super legal e aplicável em casos de NECESSIDADE. Por exemplo se a galera mora longe e sorteiam o amigo secreto via web. Aí sim ^^)
Sei lá. Acho que todo mundo devia entender mais que o espírito Natalino é mais que um Notebook novo. Estaria mais pra um abraço apertado, eu diria.
Ah, SaiDaqui vai…
Porque o gostoso é saber ser feliz com o que se tem.
Amigos antigos. Novos amigos. Lembranças boas de amores antigos. Novos amores.
Um sorriso. Um bom dia. Um abraço.
Ou apenas não ser mal tratado.
Tem coisa mais gostosa do que passar um dia simplesmente de bem com a vida, sem motivos especiais?
Coisas simples que a vida nos dá diariamente, fazem vidas inteiras valerem à pena.
Queira sempre mais, mas com cautela.
Aquela velha história de não correr atrás de borboletas. Cuide do seu jardim para que elas venham por si.
E falando em borboletas…SaiDaqui!
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