Quanto vale uma vida?
Quanto tempo se leva pra perdê-la?
Será que é mesmo aquele lance de piscar e já não estar mais ali?
Infelizmente, hoje acordei pensando nisso. Um amigo de infância, vizinho de longa data, da minha idade, faleceu essa noite.
Acidente de moto. A mulher que dirigia o carro não parou no aviso de PARE. E num piscar de olhos, ele se foi.
Fico imaginando quão dolorido deve ter sido. Espero que ele não tenha sofrido muito.
Minha mãe também conhecia o jovem. Me abraçou chorando quando ficou sabendo. Não conseguia parar de dizer que ela não sabe o que faria se fosse comigo.
Pois é, e se fosse comigo?
A vida afinal, é tão frágil.
Não gosto de velórios, mas tinha que ir prestar uma última homenagem. Os pais, inconsoláveis. Ele dizendo que o filho foi assassinado. A mãe, tentando ao máximo ser forte – ela sabe que não há muito o que fazer a não ser seguir em frente e se apegar em tudo de bom que ele deixou. O irmão, ainda desacreditado.
Pra ser sincera, eu também. Caí aos prantos quando vi ali meu amigo, coberto de flores. Poxa, qual foi mesmo a últma palavra que eu disse pra ele?
Como é tudo tão passageiro. E frágil. E imprevisível.
Muito triste pela perda de um amigo, que mesmo agora distante, fez parte de minha história.
Espero que ele esteja bem, onde quer que esteja. E que em breve, os que ficaram também encontrem paz e forças para seguir em frente.
Amigo, vá em paz. Porque nada que eu disser vai mudar o que aconteceu.
E você, SaiDaqui!
“Tião do Caminhão”, como era conhecido José Antônio Marques Cunha da Silva. Tinha na época, 47 anos de idade. Era caminhoneiro há tantos anos que não sabia fazer outra coisa.
Decidiu que seria caminhoneiro aos 15, depois de assistir um programa na TV em preto e branco que seu pai tinha lhe dado. Queria conhecer esse “Brasilsão” – como ele mesmo dizia.
Não chegou a terminar os estudos. Queria logo por os pés na estrada. Assim que conseguiu sua habilitação, partiu em busca de aventuras. Claro que pensou em desistir várias vezes nos primeiros anos: a vida de caminhoneiro era muito mais difícil do que ele pensava.
Talvez por comodidade, acabou ficando. Sempre dizia que pararia no ano que vem. Até que conheceu Marta. Uma morena jambo magricela, de olhos castanhos e cabelos finos e longos. Casaram-se entre uma viagem e outra de Tião.
Agora, parando pra pensar, Tião se deu conta que já casara há 25 anos, e que tinha 4 filhos lindos com Marta. Sempre que viajava, ele morria de saudade de casa, mas achava demais “a sensação de voltar pra casa”.
Nunca havia tido um acidente. Era motorista muito cauteloso. Dormia o suficiente, dirigia bem atento, nunca bebia ao volante. Não fumava, não usava drogas, nem traía a mulher. Era um homem simples e de bom coração. Precisava de muito pouco para ser feliz.
Gostava muito da vida correta que havia escolhido. Sempre fazia viagens curtas, e evitava passar mais que 10 dias longe de sua família. Mas aquela viagem tinha sido pedido específico do patrão. Seriam 25 dias de sofrimento e saudade.
Com o aperto de dinheiro que viviam, ele não podia dizer não. Até porque, aquele dinheirinho garantiria a reforma na casa que há tanto tempo planejavam.
A viagem estava tranquila. Já era seu vigésimo dia longe da família. “Só mais 5”, pensou Tião.

Enquanto cantava junto ao rádio naquele dia, viu um caminhão fazendo uma ultrapassagem irregular. Ele sabia que não ia dar tempo. Ele sentiu que aquilo ia dar merda. Tentou frear num impulso, mas já era tarde. Os dois caminhões perderam o controle, e por mais que tentassem desviar, o impacto foi muito forte. Caíram serra abaixo, rolaram sabe-se lá quantas vezes. A cada pancada que sentia, um filho lhe vinha à cabeça. Deixou escorrer uma lágrima.
Pensou no gosto do feijão da Marta. Pensou em quanto sentia falta de casa.
O caminhão explodiu. Tião do caminhão morreu incinerado. Com gosto imaginário de feijão caseiro na boca, saudade da família, mas paz na alma.
Agora SAIDAQUI!
Falar de sexo é cada vez menos um tabu para as pessoas, mas infelizmente existe no mundo muitas pessoas absurdamente fechadas para esse assunto.
Engraçado como ter um filho e/ou amamentar pode ser a coisa mais linda do mundo, mas o concebimento do mesmo tem que ser mal visto. Porque não achar lindo também o sexo? A maneira unificada que dois corpos se encontram em sentimento, libido, tesão e carícias para que uma nova vida seja criada?
Porque não conversar sobre sexo?
Porque ter vergonha de admitir que gosta, que sente prazer, ou que simplesmente o ato sexual é algo comum entre quase todas as pessoas adultas que conhecemos?
Talvez muitos problemas seriam resolvidos com conversas francas. Conhecimento diluído em conversas de bar, amigos de trabalho e futebol às quintas. Aulas específicas na escola, conversas francas com familiares. Dividir conhecimento sempre fez bem para todos.
Querem exemplos?
Numa conversa imaginária de uma mãe e filha inexistentes, não existiria vergonha nem receio de perguntar e responder qualquer coisa relacionada a sexo.
As coisas seriam mais abertas e menos complicadas entre pais e filhos que se comunicassem. Já pensou? Talvez se a mãe tivesse ensinado antes os métodos contraceptivos eficazes, a filha de 16 anos não teria engravidado tão precocemente.
Se o pai não a tivesse proibido de namorar, talvez ela não teria que mentir sempre e sair escondida para lugares escuros e perigosos quando quer vê-lo.
Se a escola os tivesse ensinado o uso correto da camisinha, eles não teriam se desesperado por usar 4 preservativos de uma vez e todos terem estourado por ser incorreto.
Se ele tivesse lido um pouco mais, ou conversado com outros colegas sobre isso, talvez tivesse evitado a AIDS aos 18 anos, quando transou sem proteção nenhuma.

Dentre inúmeros outros fatores, eu reafirmo: conversem sobre sexo com suas pessoas mais próximas! Troquem idéias, tirem dúvidas, leiam sobre o tema. Não tenham medo de descobrir coisas novas. Sejam curiosos. Inovadores. Transmitam conhecimento. Evitem besteiras.
Transem. Amem. Sempre. E SaiDaqui!
Pois é. Uma maneira divertida de mostrar cada desculpa esfarrapada que nego apresenta no hospital depois de enfiar as coisas no cu e não conseguir tirar. Morri de rir.
Agora SaiDaqui!