Como semana passada comecei a contar os podres da @ohceus e meus...Nada mais justo que continuar a saga não é mesmo? Lembrando que todos os acontecidos são REAIS e sempre causaram nas pessoas que assistem a chamada “síndrome de PC” (Síndrome do Puro Constrangimento).
Vamos ao que interessa?
Dezembro de 2010. Fui pra Americana passar as festas de fim de ano com a família.
1 semana antes, meu padrasto me liga para perguntar o tamanho da circunferência da minha cabeça. Eu, com aquela cara de ué, respondo qualquer coisa e desligo, pensando que é mais uma bobose dele.
Até que ele me manda uma foto, usando um chapéu gigante, escrito “Eu Sou A Amanda” com a legenda: Esse será o MENOR dos seus problemas no aeroporto. PREPARE-SE.
Claro que o medo bateu. Só aquele chapéu seria um KING KONG. O que mais ele podia inventar?
Eu vos respondo:
Ele distribuiu panfletos pelo aeroporto inteiro quando chegou, com a minha foto e um texto pedindo que as pessoas me cumprimentassem e desejassem feliz natal quando vissem o chapéu em minha cabeça.
Não bastasse isso, ele fez um cartaz GIGANTESCO me convocando para ser a assistente do Papai Noel para aquele Natal. Dizia que tinha que ser discreta, e que eu me encaixava no perfil (AHAM).
Querem mais?
Ele se vestiu de Papai Noel. Minha mãe, de Mamãe Noel. Minha irmã de duende, meus dois primos de seguranças do bom velhinho e a Déia com uma tiara de rena. Era o mico em perfeito clima natalino.
PRECISO DIZER QUE EU CHOREI DE RIR? Paramos o aeroporto por uma hora. Tirei foto com gente que nunca tinha visto na vida. Um cara veio me pedir autógrafo, achando que eu era famosa! HAUOAAUAHOAUAHAOUAHA
Foi o mico mais bem-bolado e divertido que já paguei. NUNCA vou esquecer, e já espero pelos próximos. E só quem tem essa família buscapé, como eu tenho, sabe qual é o feeling.
E você? Qual seu maior mico? Agora SaiDaqui!
Aeroportos são definitivamente, meu lugar favorito.
Nunca vi tanta magia concentrada num lugar só. Sempre me emociono.

É tanto reencontro e despedida que sempre dá um nó no peito. Em cada abraço cheio de lágrimas e despedidas já com saudade que vejo. Na euforia de cada criança que pula no colo do pai recém chegado. No sorriso e nos beijos dos reencontros tão aguardados.
Até dou risada daqueles estranhos que ficam com plaquinhas esperando determinadas pessoas que nunca viram. Dá pra ler na feição deles a pergunta “Como será que ele(a) se parece?”
Acho que é tanta esperança junta que transborda. Deixa um cheiro de romantismo no ar.
Um toque de amor, eu diria. Particularmente, sempre me pego pensando em situações românticas que já aconteceram ali. Em frases ditas ao pé do ouvido no reencontro apaixonado. Nos pedidos de casamento mais absurdos que talvez possam ter passado por ali. Nas lágrimas de pais que reencontram seus filhos e acalentam o coração. Nos corações partidos ali, por culpa da distância. Nos “adeus” sem volta que deixaram saudade e talvez tenham destruido futuros. Nos futuros ali construidos por encontros casuais e/ou programados.
Acho tudo tão lindo. As pessoas bem vestidas. Sempre animadas. Abertas a absorver energias boas.
Eu passaria horas diárias ali. Apenas observando e absorvendo emoções.
É. Definitivamente, aeroportos são mágicos. Preste atenção na próxima vez que visitar um.

E SaiDaqui!
Onze de agosto de 2004. Meu vôo sairía às 20h30.
A despedida dos pais foi horrível. Chorei mais do que deveria, acho que os assustei um pouco. Nunca fui boa em despedidas. Era uma mistura de tristeza e alegria inexplicável.
Entre lágrimas e abraços, não teve mais jeito: Passei pelo portão de embarque. Agora não tinha mais volta. E eu estava sozinha.
Os 20 minutos que fiquei esperando para embarcar no avião foram bastante tensos. Decidi esperar quieta. Sentei, respirei fundo e fui tentando me acalmar. Sabia que ficar nervosa só ia piorar a situação.
No avião, haviam vários outros intercambistas brasileiros que desbravariam os Estados Unidos da América. Uma delas sentou-se ao meu lado. “Que legal!” – Pensei. E puxei papo.
Ela era morena, com cabelos curtos e encaracolados. Tinha um sotaque puxado do Mato Grosso do Sul. Vestia uma camiseta com a bandeira do Brasil e um coletinho com estampas de bandeiras também.
Conversamos um pouco, mas ela estava tão nervosa que não conseguia se concentrar muito na conversa. Por fim desisti e decidi ouvir música. Por um momento achei estranho eu mesma estar tão calma.
Logo serviram o jantar. A aeromoça passava perguntando :
“- Chicken or meat?” e a menina ao meu lado se desesperou. Traduzi para ela, disse que ficasse calma. E pedi frango para ambas.
12h num avião. Com escala no Hawaii.
Cheguei no aeroporto de Los Angeles exausta e maravilhada.
O pessoal responsável pelo intercâmbio estava à nossa espera, e nos levaram pro acampamento de boas-vindas, onde esperaríamos nossas famílias hospedeiras nos buscar.
Pessoas de todos os cantos do mundo. Deliciosamente complicado.
Nunca vou esquecer. E você? Conte sobre uma primeira impressão, ou SAIDAQUI.