O prazer na dor

Existe prazer na dor? Sem a menor sombra de dúvida, sim.

E não me refiro somente ao sadomasoquismo, apesar da prática normalmente envolver o prazer sexual através de algum tipo de dor, desconforto ou incômodo.

Mas vamos incluir exemplos mais comuns, que não necessariamente tenham a ver com sexo: Tatuagem, por exemplo. A idéia de um conjunto de agulhas perfurando constantemente sua pele em troca de algo que deixe impressões eternas pode até assustar um pouco no começo, mas convenhamos, se o resultado não fosse agradável, não veríamos tanta gente se tatuando por aí. Sem falar no resultado bonito e satisfatório.

 

Doar sangue também dói. E ainda assim, tanta gente o faz. Pelo bem alheio, para se sentir útil de alguma forma, para fazer o bem, ou para se sentir um herói e salvar vidas desconhecidas. No fim das contas, qualquer um dos motivos ofuscam os pequenos momentos de dor no ato da doação em si.

E não somente física, mas a dor sentimental também pode trazer algum prazer: amar é lindo, mas quem se abre para o amor, corre grandes riscos de se machucar E ter um coração partido é uma das piores dores que um ser humano pode suportar.

Por outro lado, é nesse tipo de dor em que nos conhecemos de verdade. Pensamos na vida, fazemos novos planos, decidimos por mudanças, nos fortalecemos para seguir em frente. Isso sem mencionar no dilúvio de sensibilidade que nos inunda durante esse período. Já parou para pensar que as músicas, textos, quadros ou qualquer outra forma de arte mais lindos foram feitos em momentos de dor?

E dor, no fim das contas é apenas uma regra boba imposta pelos preconceituosos da soiedade Cada ser humano é único, responde de maneira diferente para qualquer tipo de estímulo e tem seu limite quanto ao que pode ser realmente considerado dor. Generalizar que “fazer algo dói” é simplesmente ignorar essa verdade.

Existe prazer na dor, sim. Basta respeitar seu próprio desejo e jogar no lixo esse livro idiota de regras nunca escritas da sociedade que se diz moderna.

SaiDaqui! ;)

@amanda_arm dia 22 de novembro de 2011
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O preço de sorrir de graça

Não sabia não escrever com a alma. Era sempre um pedaço de si que despejava no papel.

E quando o coração doía assim, só escrever acalmava a vontade de gritar que ela sempre continha no estômago. Sentia como se não bastaria chorar, sofrer em silêncio ou conversar. Tinha que descontar aquilo que lhe fazia mal. E sempre sobrava para o coitado do papel.

Depois chorava um monte. Dormia tranquila e acordava amena. Como se nada tivesse acontecido.

Vivia de guardar dores. Tinha que ser forte e sempre bem humorada pra todo mundo. Ouvia sempre a mesma história de como as pessoas admiravam sua garra, de como ela nunca estava de mal com a vida e tudo mais. Mal sabiam eles que ela nada mais fazia que esconder os medos e mágoas atrás de um sorriso às vezes forçado.

Não se achava no direito de mostrar para o mundo que ela também sofria. Que era humana, e que certas coisas (algumas até bobas) também a faziam chorar.

Escondeu lágrimas de tanta gente, que as pessoas nem sabiam que ela sabia chorar. E enquanto ela desejava em segredo que alguém a pegasse no colo e cuidasse dos problemas que tinha, lhe jogaram mais uma bigorna nas costas. O que ela, erroneamente, aceitou sorrindo.

Levou anos pra aprender que era errado ter um sorriso no rosto se o coração não tinha amor. Trocou o inverno gélido de um sorriso sem motivo pelo verão gostoso de um não sorriso com motivo.

Pagou caro por sorrir sempre de graça. (RE)Aprendeu a sorrir pra si primeiro. E só depois, para os outros. Chame de egoísmo se quiser, ela já não se importa com o que você pensa.

Agora SaiDaqui!

@amanda_arm dia 12 de julho de 2011
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Sobre o que me convém

Sobre o que me convém.

Me convém fechar os olhos, e não ver que amor existe. Porque o medo fala mais alto, e o trauma me diz sempre “não se jogue novamente”.

É mais fácil não se envolver. Não acreditar. Não querer.

Porque amar dói. Todas as outras vezes me doeu.

Viver intensamente, insanamente, fortemente apaixonada, já não me convém. Fazer loucuras, trocar os pés pelas mãos, andar sem rumo já não é mais atraente como foi outrora.

Acreditar cegamente, já não mais convém. Porque todas as vezes que acreditei, tive que desacreditar depois. Porque me convém ser morna, mais ou menos, e quase amada.

Me convém ficar sozinha, não dar bola pra theo-24 cr ninguém, não me envolver demais. Não sair da zona de conforto, não sonhar mais alto do que um tombo que apenas me quebre um braço.

Porque quebrar o coração dói muito.

Me convém mantê-lo por perto, sem ter que chamá-lo de meu. Dizer que não me importo enquanto o sentimento quer dizer o contrário.

Te deixar ir embora enquanto ainda não dói. Aliás, te mandar embora, justamente para não sentir dor.

Me convém não amar nunca mais.

Mas eu não faço nunca o que me convém.

SaiDaqui!

@amanda_arm dia 26 de abril de 2011
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Quando amar demais não basta…

É fato consumado: Quem tem amor demais no coração nunca vai estar satisfeito. Sensação contínua de que nunca vai existir alguém que ame suficiente. Achismo constante de que nasceu para ser sozinho, ou conformar-se em receber amor de menos.

Sentir-se culpado por amar demais. Como se fosse coisa feia ou pecado mortal doar-se por inteiro.

Eu não sirvo pra isso. Que a pessoa então fique sozinha. E seja inteira. Intensa como sabe ser.

Acho engraçado: sempre tem algum idiota para querer fazer perder o brilho de quem o tem. Gente que se encanta e se apaixona exatamente pelo jeito cativante que essas pessoas normalmente tem, e quando as conquistas, fazem do possível e impossível para que essa seja a primeira coisa a mudar. Tentam mudar o jeito delas, por puro egoísmo e egocentrismo.

Sempre vai ter: um otário pedindo liberdade, sem querer te dar um pouco dela. Adora dizer que comeu tantas, morde o lábio quando você confessa que deu pra alguém. Te quer só pra ele. Mas quer ser de todas. Te exibe pra todos os amigos homens e eche a boca pra falar que te come de tudo quanto é jeito. Quer conhecer seus amigos pra poder demarcar seu território,  enquanto te esconde das amigas, pra poder continuar com certas liberdades. Reclamando do cumprimento do seu vestido, e reparando no decote das outras…Dentre muitas outras coisas absurdas.

Quando é assim, amar demais não basta.

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Só pra cotar Jabor, se a vida fosse fácil assim as mulheres não comprariam um porco inteiro só por causa da maldita linguiça. (Tá bom, esse foi um comentário feminista só pra provocar, admito)

Enfim, para alguém que não baste amor sincero, juras de amor e loucas declarações inesperadas; que tampouco bate sexo com carinho e tesão intenso, divisão de tarefas, dinheiro suado e companheirismo, então não sei o que basta. Desculpe, mas seres assim não sabem ser mais que “só” isso.

E SAIDAQUI!

@amanda_arm dia 26 de outubro de 2010
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Estrelas no olhar, e música no coração

Ela tinha estrelas no olhar.

Ele, música no coração.

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Nem se imaginavam conhecer. Acreditavam em tanta coisa que já era considerada cafona que preferiam nunca dizer nada. Limitavam-se em sentir.

Mas sentiam sozinhos, cada qual em seu quarto vazio e solitário. Vez ou outra revirando fotos antigas, chorando baixinho sem razão aparente, ou ficando quietos no escuro, aguardando o sono em meio à pensamentos loucos e abstratos.

Talvez nunca se encontrariam. Talvez não fossem nada. Talvez se cruzassem no boteco, sem reconhecer-se.

Mas ambos sabiam melhor. A vida tinha que ter reservado alguém. Ela havia de encontrá-lo.

Ele já havia desistido. Provou muitas erradas, até se convencer que não existia uma certa.

Ela sempre se enganava. Achava que sentia borboletas no estômago, e descobria mais tarde que não eram.

Ambos seguiam cabisbaixos e desanimados. Não que fossem infelizes. Mas “se sabiam faltando”.

Alguém que tocasse violão e a deixasse vermelha. Que o fizesse cafuné até cair no sono.

Que a pegasse no colo no meio de todo mundo. Que o surpreende-se todos os dias.

Que ficassem bêbados juntos, e envelhecessem de mãos dadas.

Que transassem com se não houvesse amanhã. E que assistissem juntos o nascer do sol.

E enquanto ele sonhava acordado, dedilhando as cordas do violão já velho, encostado na cabeceira da cama, ela escrevia sobre a história de duas pessoas que se amavam sem mesmo se conhecerem. E que talvez nunca se encontrassem.

Ps: O texto é de 2008. Achei em meio à papéis antigos que estava fuçando ontem. ;)

Ps2: SaiDaqui =p

@amanda_arm dia 28 de julho de 2010
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364 outros dias de amor

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Convenhamos, isso nunca vai mudar.

Está na natureza do ser humano apegar-se. Aquele ter certeza que algo vai ser pra sempre, mesmo  sabendo que o sempre não existe. Claro que você pode ser feliz por uma vida inteira ao lado de uma pessoa. Mas ainda assim, isso não é sempre. Muito menos pra sempre.

É da índole humana ser terreno, ser mundano. Ser materialista. Apaixonar e desapaixonar-se quando der na telha, e nas situações mais inesperadas.

Dia dos namorados está chegando, e mesmo sabendo de tudo isso, vejo cada vez mais pessoas solteiras reclamando que não tem ninguém para comprar presente, nada para fazer no próximo dia 12 ou qualquer crítica referente à não ter um namorado(a) para passar a data coladinhos.

Tá, eu até entendo que é chato passar uma data tão especificamente romântica sem alguém especial, mas vamos lá: Flores, bombons, beijos, abraços e juras de amor não são contratos. Eternidade deveria ser medida em intensidade de momentos ao invés de tempo.

E dia dos namorados é apenas uma data.

Você ainda tem muitos 19 de agostos e 14 de setembros para encontrar alguém. Quem sabe um 29 de julho ou um 07 de outubro? Esqueça datas, esqueça presentes. Foque-se em amor. Não tens um companheiro(a)? Compre um presente para você mesmo. Ou para sua mãe. Ou para sua irmã. Sei lá.

Não se abale apenas porque é 12 de junho. Você tem outros 364 dias para apaixonar-se!

9100amorAgora SaiDaqui!

@amanda_arm dia 8 de junho de 2010
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Sensações Adversas

Tenho sensações adversas quase sempre.

De me perder e me encontrar sempre quando acho que não preciso.

Com o canto dos olhos perdidos nas lágrimas e pensamentos soltos de passados, futuros e possibilidades, tenho dons de berço. Vontades inacabadas. Valores formados. E circos em chamas no coração.

Certas horas eu tenho certeza do porque não posso andar com armas. E não, eu jamais culparia a TPM por isso. Ela não tem culpa do mundo às vezes (quase sempre) parecer idiota. Tudo isso na maior calma do mundo.

Sempre que quero gritar, o primeiro impulso é calar-me. As sensações adversas me calam. Para poder pensar melhor antes de quebrar os pratos. E acabo por acariciar a face de quem tanto me machuca.

Me dizem forte. Me dizem travessa. Outrora sou fraca, e desavessa. Séria e calma. Adulta e chata. Ainda amo quem mais merece meu ódio. Sou indiferente com alguns que deveria amar mais. Muita coisa me incomoda. Não estou sempre certa. Nem de tudo errada.

Sou humana, fera, bicho, calmaria, mar e mulher. Demônio, anjo e criança. Sei que ainda tenho muito pra ser. Mas no fim das contas,  espero que no presente, isso baste.

753CF

E você? SaiDaqui!

@amanda_arm dia 26 de maio de 2010
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