Gostava de emanar ares de sobrenatural. Vivia dizendo aos quatro ventos que sentia, via e ouvia espíritos, anjos, entidades, ou o que fosse. Falava tanto disso que afastava as pessoas. Era um tal de “eu sei disso” e “eu sei daquilo” irritante como só ele sabia ser.
Nunca aceitou críticas, mesmo que construtivas. Não admitia que as pessoas não quisessem ouvir ou conversar sobre o que não se pode ver ou tocar. Ele era soberano na arte de entrar em contato com o divino. E adorava se vangloriar disso.
Funcionava para pegar algumas meninas facilmente impressionáveis e fazer alguns amigos interessados em ouvir sobre o que não conheciam. Mas logo se tornava chato, porque fazia daquele canal de contato seu único e interminável assunto.
Pior que isso, não sabia ser admirado em silêncio. Das pessoas que o amavam como era, sentia necessidade constante de ouvir elogios: tinha que ser reconhecido o tempo todo pelo tal dito esforço em tudo que conquistara até então. “Tudo” que se resumia em tão pouco para outras pessoas.
Foi amado uma vez, por uma menina eloquente, que dizia verdades em tons de brincadeira para que ele entendesse que ser bitolado não é legal. Tentava explicar que achava o assunto demasiado interessante, e que acreditava nele. Queria aprender muita coisa. Mas tudo tinha hora de ser discutido, mostrado. Que espiritualidade imposta, é alienação. Ofendido, fugiu sem dar satisfação. “Onde já se viu, menina tão nova achando que sabe mais que eu? Só porque a alma dela não está pronta” dizia ele.
Muitos anos se passaram, e ele passava cada vez menos tempo em contato com pessoas de carne e osso. Afirmava que seu espírito era superior demais para se deixar ser humano.
Desencarnou alguns anos depois, elevando-se novamente apenas para o estado de espírito, onde descobriu finalmente, que sua última tarefa divina teria sido conviver entre humanos e aprender suas maiores virtudes antes de evoluir. Só o faria quando entendesse realmente o significado de amar um humano. E que havia falhado. Seu egcentrismo havia falado alto demais.
SaiDaqui
Quero encontrar o fim, o início de tudo. Voltar a ser luz, espírito livre de um corpo.
Quero ser melhor, ser paz e amor. Vou buscar meu verdadeiro eu. Talvez na caminhada encontre meu anjo de proteção. Mesmo que ele não sej aum anjo.
Ou ainda não encontre nada, por descobrir que já tenho todas as ferramentas que preciso. Quero que a busca por si só seja meu caminho de felicidade. Que alegria seja a maneira de jogar o jogo da vida, e não seu resultado final.
Quero que as pessoas me levem e se deixem comigo. Ter pedaços. Ser pedaços.
Quero que cada fim seja o início de tudo. Enfim, fim.

E SaiDaqui!
Tenho sérios problemas com paixões. Sempre tive.
Adoro muitas coisas. Mas paixão alucinante, por quase nada.
Música por exemplo: Não vivo sem. Mas também não morreria por ela. Não toco instrumentos. Não tenho posters de bandas em casa. Aliás, não sou louca por nenhuma banda em específico, nem sou de ir em shows caros por aí.
Mas eu encontrei uma paixão suprema. Algo pleno que me faz feliz: Os animais. Todos em geral, mas os cachorros tem preferência no meu ranking de favoritos.

Apolo, 3 meses
Minha mãe nunca permitiu que eu tivesse um cachorro. Quando saí de casa, aos 17 anos, foi a primeira coisa que fiz.
Tenho um sentimento de amor à primeira vista com cães. Pequenos, grandes, dóceis, bravos, adestrados, teimosos, de raça ou vira-latas…Eles sentem minha paixão. E me permitem entrar em seus mundos.
Aprendi a adestrar cães sozinha, de tanto ler artigos na Internet. Depois de saber o básico, encontrei um adestrador experiente que me ajudou nos comandos mais complicados. Nascia ali, algo que me dava absoluto prazer em praticar. Pra quem não viu/lembra, até publiquei um manual de adestramento básico aqui no SaiDaqui. Se você tiver interesee, leia AQUI.
E minha paixão por cachorros só fazia em aumentar. Também entrei para ONGs de proteção de animais: queria fazer minha parte. Resgatei cachorro de rua, retirei cachorros de maus tratos dos donos, ajudei no parto de uma pitbull prenha que não conhecia, abriguei cães, socializei outros. Ajudei na busca de lares para abandonados. Viajei muitos kilômetros para buscar um cachorro bravo que nunca tinha visto na vida. Inclusive, alguns meses depois, esse mesmo cachorro (que comigo era um doce) me salvou de um assalto iminente. Doei cachorros que levaram parte de mim embora.
Ri, chorei, ajudei, venci e sofri com eles.
Hoje, pensando em tanta emoção que passamos, sei que essa é minha verdadeira paixão.
Algumas pessoas ainda têm coragem de me perguntar porquê gosto mais de cães do que de pessoas. É tão difícil notar que o amor deles é incondicional? Que eles não julgam ninguém, e que não conhecem o mal que o dinheiro pode trazer?
O quão irracional é simplesmente gostar de alguém pelo que se é? Não querer mudar nada. ABSOLUTAMENTE nada. Sentir a tristeza nos olhos de quem se ama, deitar aos seus pés, e não dizer nada; sabendo que simplesmente ficar ali já disse tudo. Ter as melhores conversas do mundo com olhares. Defender o outro à qualquer preço, mesmo que isso lhe custe a vida.
Precisar/ter pouco, e mesmo assim, se doar por inteiro.
Se isso é o que chamamos de “animal irracional” acredito sinceramente que os tais “racionais” é que deveriam rever esse conceito…

Apolo, 1 ano e meio
Agora SAIDAQUI e vá abraçar seu anjo em 4 patas!
Tenho visto várias resenhas e opiniões sobre os filmes da atualidade: Avatar, 2012, 500 dias com ela, etc..
Decidi não participar das massas.
Como várias das opiniões lidas foram bastante críticas, comecei a pensar no pior filme que já tinha visto na miha vida.
Sério, eu ADORO flmes, cinema, livros e tudo que nos envolva com imaginação. Assisto todos os gêneros, leio um pouco de tudo e não tenho preconceitos quanto à filmes/livros viajados.
Mas tem um filme inesquecível em minha história. Inesquecível, porque é o pior filme de todos os tempos. Dublê de Anjo.

Sabe aquele tipo de filme que você assiste, começa a ficar chato…Então você espera que ele melhore, mas ele vai cada vez mais caminhando para um abismo sem fim de chatisse extrema?
Além de absolutamente viajado, a história começa a não fazer mais sentido.
Terminei de assistir por puro respeito. Para ter certeza que ele era ruim assim mesmo, do começo ao fim. E infelizmente, era.
Pelo roteiro e idéia inicial do filme, ele tinha tudo para ser MUITO bom. A história se passa num hospital, e é narrada aos olhos de Alexandria (Cantica Utaru), uma menina bastante cheia de imaginação. Começa com um bilhete da menina, dedicado à uma das enfermeiras, que para acidentalmente nas mãos de Roy (Lee Pece) – um dublê recém acidentado que acaba de ficar paralítico. E pra ajudar, está com o coração partido.
Eles tornam-se amigos, e Roy sempre conta histórias para a menina, que passa a sonhar com as mesmas todas as noites. Obviamente, na mente de Alexandria, os personagens da história (o indiano, o escravo, o místico, Luigi, Charles Darwin, o bandido e o Governador Odioso) são interpretados por pacientes do hospital.
Mas engana-se quem acha que Roy tem apenas boas intenções com as histórias que conta. Maliciosamente, o contador de história conduz a pobre garota a ajudá-lo em seu plano de suicídio.
Dirigido pelo indiano Tarsen Singh, o filme possui um ótimo roteiro, mas deixa muito à desejar no filme em si.
Não vale à pena. Não mesmo.
Mas como obviamente, você deve ser um leitor curioso, e terá que ver com seus próprios olhos. Então, só posso desejar uma boa sorte.
Se você gostar do filme, nada contra. Gosto é como cu nariz, cada um tem o seu.
Por curiosidade, esse é o trailler:
Agora SaiDaqui!
Ela o avistou de longe. Ele estava sentado, encolhido num banco de praça, com uma mão no colo.
Ao seu lado, um pacote de biscoitos. E havia desprezo em seus olhos.
Ela sentiu o rancor ao longe, e decidiu passar mais perto, só de curiosa que era.
Conforme se aproximava, notava que todas as pessoas reparavam e olhavam para ele de maneira diferente. E que ele respondia com o mesmo olhar rude, às vezes até com palavras ácidas.
Percebeu então que ele não possuía um dos braços, e entendeu na hora o que se passava.
Era um senhor de mais ou menos 40 anos de idade. Grisalho, magro, bem afeiçoado e vestido de maneira casual com velhos jeans e camiseta creme. Uma das mangas estava amarrada.
Engraçado como tempo e desdém enrijece o coração das pessoas. Parecia que ele estava cansado daquele mundo de preconceitos, onde todos olhavam para ele como uma aberração qualquer.
Ela decidiu sentar-se ao lado dele. Pegaria o próximo ônibus. O trabalho poderia esperar.
Disse um bom dia simpático, e não obteve resposta. Ficou em silêncio por tempo indeterminado, até que ele iniciou uma conversa:
“ Quer um biscoito?”
Ela negou educadamente, alegando que já havia tomado café da manhã.
“Desculpe pela grosseria. É que não estou acostumado com pessoas sendo simpáticas comigo” – Ele acrescentou.
Ela assentiu com a cabeça, e disse que entendia. Contou a história de sua irmã mais nova, um anjo especial que papai do céu enviou pra ela cuidar. Contou das aflições que passaram, explicou a síndrome dela pra ele. E finalizou dizendo como se sentia mal todas as vezes que alguém a olhava daquele jeito diferente.
Contou com aperto no coração quantas vezes ela mesma sentia vontade de xingar ou agredir aquelas pessoas preconceituosas que a olhavam com desdém. E de como ela precisou se segurar em todas elas.
Detalhou o máximo que pode como a pequena irmã a abraçava quando sentia vergonha de ser “diferente” e chorava dizendo que aquilo não era justo. E de como ver aquela cena sempre partia o seu coração. Acho que se ela pudesse, trocaria de papéis com a pequena, só para não vê-la chorar daquela forma.
À essa altura, o homem estava com lágrimas nos olhos. Perguntou se podia não dizer nada.
Ela apenas sorriu. Desejou-lhe um bom dia, e disse que não ligasse pro que os outros pensassem. Mandou-o buscar felicidade dentro de si mesmo, e de quem não ligava por ele ser especial.
Foi embora. Não disseram mais nada.
No dia seguinte, lá estava ele, no mesmo lugar. Mas com semblante muito melhor. Ele a avistou de longe, deu um largo sorriso e gritou: “Bom dia menina!”. Ela acenou com a cabeça e foi trabalhar contente.
Definitivamente, pessoas especias são mais normais do que você imagina.

SaiDaqui!

Eu?
Já cheguei à porta do inferno.
Já conheci o capeta de várias formas.
Já fui demônio.
Já estraguei histórias.
Já parti corações bons.
Já me perdi…
Mas também já conheci o céu.
Já vi Deus de várias maneiras.
Já fui anjo.
Já fui parte de belas histórias.
Já consertei corações quebrados.
Já me encontrei…
Já fui dona do equilíbrio.
E motivo do desequilíbrio.
Um dia, vou colocar minha história no papel.
E ao ler, vou dar risada.
É bastante complicado lidar com crianças especiais. Falo por experiência própria, já que minha única irmã tem atualmente dezessete anos e é especial.
Mas foi com ela, que aprendi as maiores lições de minha vida.
Esses dias, fuçando em minhas coisas, encontrei o texto que escrevi para ela quando ela fez 15 anos. Decidi simplesmente postar. Acho que ele retrata muito do que ela é. Espero que gostem.

“Loira, meiga, alta, magra e delicada. Assim é hoje, o “monstro” que imaginei aos quatro anos de idade, quando vieram me dizer para não ter medo quando percebesse que minha irmã era “diferente”.
No entando, desde a primeira vez que a vi, apaixonei-me. Também…Acho humanamente impossível não apaixonar-se por esse rostinho de anjo. Papai do céu caprichou em você, e te deu um dom de encantar que ninguém tem. Nem o mais bonito dos tais “normais”.
Boa parte do ser humano que me tornei. Dos exemplos que eu tive na vida, você é o maior. O melhor.
Estupefata, digo a todos que você é minha irmã. Minha loira. Minha pequena. Orgulho esse que enche os olhos de água ao lembrar de tudo que você já conquistou na vida.
Especial. Definitivamente. Em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Presente do cara lá de cima, ensinamento em pessoa. Anjo sem asas, em forma de gente. Um anjo para chamar de irmã.
Tata, obrigada por abençoar nossas vidas com sua presença. Amo você. Muito.
Da sua irmã coruja,
Amanda
06/jan/2007”
Já encheu os olhos de lágrima? Ok, ok. Foi um cisco. Agora SaiDaqui.
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