Acho que só quem é minha amiga de verdade como a @ohceus consegue me aturar na vida real. No dia a dia. Na idiotice. Nos ataques de riso inesperados. Na bobose. Nas crises de choro, de comilança, de histeria, de bom humor logo cedo (o que ela MAIS odeia).
Fato é que ser minha amiga é sinônimo de sofrimento diário. Eu ainda vou escrever um livro de tudo que apronto com ela. Juro. Por agora, ficam apenas alguns gostinhos do que ela passa comigo (e vice-e-versa) quase sempre…
***
Recém nos conhecíamos, pessoalmente.
Déia bebe a cerveja do meu copo, e no momento que ela me entrega de volta, eu pergunto, com cara MUITO séria e preocupada:
- Você tem herpes?
Ela, toda constrangida pela pergunta e assustada, responde rápido:
- Claro que não!
Eu, com uma piscadela no rosto respondo:
- Agora tem!
Espanto seguido de risos incessantes.
***
(Recém nos conhecíamos, por e-mail)
Déia – Ai Amanda, ando tão puta da vida com fulano e beltrano, porque isso aqui, aquilo acolá, e não sei mais o quê, e isso não tá bom aqui, e aquilo ali, bla bla bla whiskas sachet.
Amanda, em tom sério – Sabe Déia, eu tenho desses dias também, onde tudo parece estar ruim e tal…Mas aprendi um exercício muito bom que sempre funciona. Faz assim ó: Feche os olhos, tape os ouvidos e a boca com as mãos e prenda a respiração pelo máximo de tempo que aguentar, pensando mentalmente: “quando eu explodir e morrer, passa!”
Déia – AI SUA FILHA DA PUTA. Eu aqui, que nem uma idiota fazendo o exercício achando que ia dar super certo, e acabo tendo uma crise de risos
***
(Eu levei a Déia conhecer a casa de uma das minhas melhores amigas de Americana, que tem uma cachorrinha idosa, cega, minúscula, manca, sem dente e com a língua caída pra fora da boca – Paola o nome dela. Um amorzinho de rato com pêlo cachorro)
Todos da família da minha amiga na sala. Déia toda empolgada pra conhecer a Paola, que chega no colo do irmão da minha amiga. Ela, toda sem graça pela aparência da cachorra, diz um “aii, que bonitinha” com um sorriso amarelo.
Ele então, tem a infelicidade de virar o outro lado da pequena Paola e dizer: “olha a linguinha dela, que bonitinha”
E o que a SUPER EDUCADA Déia faz? TEM UM ATAQUE DE RISOS, deixando um climão manero na sala.
***
(Já tínhamos essa MERDA de intimidade. Eu recém tinha voltado de Americana, e ela, por e-mail)
Déia – VOCÊ É UMA LAZARENTA, BISCATE, FIADAPUTA MEMO
Amanda – Também te amo, mas o que eu fiz dessa vez?
Déia – Toda vez que você vem pra cá, meu lado OGRO arrotante desabrocha. Aí você vai embora e eu esqueço de ligar a chave “menininha” de novo. O que eu fiz? ARROTEI NA CARA DO MEU CHEFE. Se eu for demitida, a culpa é sua! Vai ter que me aguentar e sustentar.
Preciso dizer que eu tive uma crise de risos?
***
Déia, toda feliz pra contar suas peripécias sexuais, por telefone, em horário comercial:
- Ai amiga, peguei um policial delícia! Nem te conto. Afe, fiquei até sem fôlego com aquele lá. Mas né? Eu TINHA que dar um dos meus foras.
- Lá vem, o que você fez dessa vez?
- Mandei um “ai, adoro homem fardado” com a cara mais sexy que eu consegui fazer pra ele. E sabe o que ele respondeu?
- O quê?
- Mas eu não uso farda meu bem, sou polícia civil.
QUEN QUEN QUEN QUEEEEEN
***
Déia, no meio de uma crise de bobose e ataque de risos, por telefone, no fim de semana:
- UAHIAUHAIAUHAIUAHAIUAHAIUAHAIUHAIAUHAIAUHAA
- Oi, tudo bem?
- HAOUAHAOAUHAAOUAHAOUAHAOAUAHAOUAHAOAUHA
- HOAUAHAOUAHAOUAAHAOUAHAOAUAHAOUAAHAOUAH
- Mano, tô com bobose.
- Percebi.
- Sabe o que é?
- Hm.
- Eu saí falando pra todo mundo, super orgulhosa que eu ia no teatro de um filho de um comediante famoso.
- Tá, e daí?
- É que o standup era do Lucio Mauro FILHO, e eu disse pra todo mundo que ele era o filho do XICO ANÍSIO!
- HAOUAHAOAUAHAOUAHAAOUAHAOAUHAOAUAHAOUAHAO
***
Eu, no carro, com a Déia. Vidros fechados.
Déia – BURP (arroto) Hahahaa, sua idiota, arrotei.
Amanda – Trollface olhando de volta
Déia – PQP SUA FILHADAPUTA, CÊ PEIDOU?
Amanda – Cheira sua parte aí, pra acabar logo. E pra parar de ser idiota, pensando que pode arrotar mais que eu.
***
Pois é amiga. Obrigada por me aguentar
Agora SaiDaqui!
Sobre relacionamentos descartáveis.
Hoje, enquanto pensando na vida e em todas as mudanças boas e rasteiras traiçoeiras que ela me deu, acabei me dando conta de muita coisa.
Sobre como nossos relacionamentos são descartáveis, por exemplo.
Acho que uma das maiores dificuldades do ser humano é aceitar que nada dura pra sempre: Por mais que entender a teoria seja muito simples, todo mundo vive em busca de amor eterno, amizade eterna, vida eterna…O que não existe.
Vivemos cada vez mais dessa sociedade de plástico, onde tudo fica obsoleto antes do que imaginamos. Tudo se quebra fácil. Ao invés de consertar, cada vez mais optamos por jogar no lixo o que nem sempre está de todo estragado e comprar outro: mais novo, mais moderno, mais caro.
Talvez seja reflexo dessa cultura materialista e consumista que nossas relações também têm se tornado plastificadas e descartáveis. No fim das contas, é realmente mais fácil virar as costas para um amigo que lhe fez algo que você não gostou do que sentar e conversar não é mesmo? De repente você vai ali, tuita que precisa de amigos novos e “pluft!” - eles aparecem. Claro que isso perdura apenas até o primeiro empecilho que encontrarem.
Terminar um namoro porque ela gosta dos Beatles ao invés dos Rollings Stones, tem aquela mania irritante de passar a mão no cabelo enquanto fala e ser fanática por kart, coisa que você odeia. Afinal, é mais fácil procurar alguém que tenha seus mesmos gostos ao invés de ceder um pouco, não é mesmo?
Esse círculo vicioso de renovar relações por motivos bobos nos torna ainda mais idiotas: porque mostra que somos covardes. Que fugimos da real obrigação de fazer as coisas darem certo.
E que fique BEM claro que sou contra insistir e bater cabeças em algo que não é recíproco: não é desses tipos de relacionamentos que me refiro neste texto; e sim daqueles onde há amor, amizade, compreensão ou qualquer tipo de carinho ou sentimento forte e mútuo.
Tomara que logo todos abram os olhos, e notem que cada há cada vez menos relações duradouras no mundo. Cada vez mais separações, mais inimizades. Menos compaixão, menos ajudar sem esperar nada em troca. Mais mágoa, mais #mimimi, menos amor. E que daqui a 30 anos, não tenhamos cortado relações com pessoas que hoje gostamos tanto por motivos que logo nem lembraremos.
O que eu quero? Um mundo com mais entendimento, paciência e conversa. Com mais resoluções de problemas sérios e esquecimento de problemas bobos. Com mais amigos e amores que apareçam sempre. E que fiquem. Que se agreguem aos já existentes.
E SaiDaqui!
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!…
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir…Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!
Agora SaiDaqui!
Error: Twitter did not respond. Please wait a few minutes and refresh this page.