O preço de sorrir de graça

Não sabia não escrever com a alma. Era sempre um pedaço de si que despejava no papel.

E quando o coração doía assim, só escrever acalmava a vontade de gritar que ela sempre continha no estômago. Sentia como se não bastaria chorar, sofrer em silêncio ou conversar. Tinha que descontar aquilo que lhe fazia mal. E sempre sobrava para o coitado do papel.

Depois chorava um monte. Dormia tranquila e acordava amena. Como se nada tivesse acontecido.

Vivia de guardar dores. Tinha que ser forte e sempre bem humorada pra todo mundo. Ouvia sempre a mesma história de como as pessoas admiravam sua garra, de como ela nunca estava de mal com a vida e tudo mais. Mal sabiam eles que ela nada mais fazia que esconder os medos e mágoas atrás de um sorriso às vezes forçado.

Não se achava no direito de mostrar para o mundo que ela também sofria. Que era humana, e que certas coisas (algumas até bobas) também a faziam chorar.

Escondeu lágrimas de tanta gente, que as pessoas nem sabiam que ela sabia chorar. E enquanto ela desejava em segredo que alguém a pegasse no colo e cuidasse dos problemas que tinha, lhe jogaram mais uma bigorna nas costas. O que ela, erroneamente, aceitou sorrindo.

Levou anos pra aprender que era errado ter um sorriso no rosto se o coração não tinha amor. Trocou o inverno gélido de um sorriso sem motivo pelo verão gostoso de um não sorriso com motivo.

Pagou caro por sorrir sempre de graça. (RE)Aprendeu a sorrir pra si primeiro. E só depois, para os outros. Chame de egoísmo se quiser, ela já não se importa com o que você pensa.

Agora SaiDaqui!

@amanda_arm dia 12 de julho de 2011
8 comentários
compartilhe

Gosto de gente assim…

Gosto de gente que deixa o espírito se perder na infância: gente que ainda gosta de algodão doce e dá risada quando vê que o nariz está sujo de chantilly.

Pessoas que tem a certeza de que nada é tão certo quanto parece, e que viver o hoje ainda é mais importante que fazer planos. E que sabem que fazer planos é importante, mas entendem que deixar o mundo lhes surpreender um pouco também não dói.

Essa gente que gosta do hoje, mas acredita que amanhã pode ser ainda melhor. Que ainda dá bom dia na rua pra um desconhecido e sabe ceder o lugar no ônibus com um sorriso no rosto.

Quem ainda se surpreende com coisas idiotas e não tem vergonha de chorar quando dói. Gente que diz um “eu te amo” despreocupado enquanto abraça a mãe, ou que ganha o dia quando ganha balas do avô.

Esses de espírito leve, que dizem “eu te perdoo” pra quem lhes machuca e não conseguem pedir desculpas. De alma crescida, que sabem também perdoar a si mesmos quando agem errado.

Gosto de gente que ri de palhaço, que põe a língua pra fora quandochove, só pra sentir o gostinho da chuva. Gosto de gente que dança sem música, que vai no circo e que senta na grama. Gente que come doce antes do almoço com cara de quem está fazendo arte, de quem vê foto e sente saudade.

De quem tem a capacidade de se apaixonar todos os dias por algo novo. De quem sorri com o coração. Gosto de gente travessa, arteira e espontânea. Como aquele sorriso que criança dá quando gosta de você.

Gosto de brigadeiro, de pipoca, de maçã do amor e de roda gigante. Gente que sabe fazer a vida um tobogã divertido. Que não se lamenta à toa e sabe agradecer quando algo ou alguém lhe agradam.

Sou fã de gente criança assim: capaz de sorrir depois de ler esse texto, mesmo que pra ninguém ver, porque sabe que um sorriso nunca é desperdiçado.

Agora SaiDaqui! ;)

@amanda_arm dia 23 de maio de 2011
17 comentários
compartilhe

Uma amizade de 15 anos qualquer…

Droga. Odeio quando não consigo dormir porque tem algum assunto me “aporrinhando” os pensamentos. E este em particular, é delicado.

Veio há uns dias, assim meio que do nada, e sinto que não vai ir embora enquanto eu não escrever sobre.

Então meus pêsames queridos leitores, sobrou pra vocês! Hehehe.

Quinze anos não é pouco. E pra quem tem apenas vinte e dois, é MUITO tempo. Esse foi o tempo que durou nossa amizade.

Lembro até hoje, quando eu tirava sarro dele na primeira série por ter uma letra ilegível (confesso que ainda hoje ela continua indecifrável, rs). E quando ele tinha dúvidas sobre matemática, sentávamos juntos pra estudar. Lembro quando ele começou a ter as primeiras dúvidas de cunho sexual, e que comigo ele não tinha o menor pudor ou vergonha de perguntar.

Sempre acabava em muita risada.

Lembro também de quando eu cuidava dele quando ele bebia demais. De como eu era a única que podia dirigir o carro dele. Lembro de cada vez que ele abriu a porta do carro (para eu entrar E sair), de cada música que cantamos juntos no som do carro.

Tínhamos um ritual. TODO santo fim de semana íamos tomar café. Detalhe que eu nem gosto de café, mas sempre ia pela compania dele. E acabava tomando um chocolate. Era nosso festival de besteirices alheias. Falávamos mal dos outros, ríamos das cagadas nossas, e confessávamos as notícias da semana que passou. Naquelas horas a gente nem atendia o celular.

Falando nisso, lembro que tive vários problemas com ex-namorados, que nunca entenderam nossa amizade. Paciência. Sempre passei por cima de todos eles.

Lembro de quando eu ligava pra ele sorrindo toda vez que conhecia alguém legal, e meses depois, chorando sobre o canalha. Lembro até que ele me consultava sobre as meninas que passavam. Eu sempre morria de rir com ele.

Lembro das noites e noites que passamos sem fazer nada porque estávamos sem dinheiro.  Cada uma delas valeu à pena.

Ele nunca esqueceu um aniversário meu. Nem nunca falhou em um presente de Natal sequer. Lembro muito bem como ele me abraçava apertado. Era um carinho que se sentia, sabe?

Por incrível que pareça, eu não sei a data de aniversário dos meus parentes mais próximos, mas JAMAIS vou esquecer o dele.

O tempo sempre passou, e as coisas sempre mudaram. Menos a nossa amizade. Eu sempre achava que aquilo ia ser pra sempre. Como não mudou em nada nem quando morei fora por um ano.

Mas eu estava errada.

Porque nesse mundo, existem pessoas muito ruins. E elas são capazes de tudo. Não citarei motivos, nem pessoas, porque coisas ruins a gente faz questão de tentar esquecer.  Mas resumo da ópera: Ele começou a namorar. E terceiras pessoas alteraram uma história simples, com más intenções, venenosas. E inventaram uma versão totalmente diferente pra namorada dele.  O resultado é o atual: nunca mais nos falamos.

Ele sempre teve um coração de ouro. Gigante. Sei que ele ficou perdido.

Até hoje entendo o lado dele. E o dela. Mas sei lá. Não acho justo nem digno ter que implorar perdão ou se justificar por coisas que não fizemos.

Então sei lá. Acho que tudo isso foi pra dizer que sinto muito a falta dele. MUITO.

tristeza

Agora, por favor, SaiDaqui que eu preciso ficar sozinha pra chorar um pouco.

PS: Agora sim, vou dormir tranquila. Obrigada por me “ouvirem”.

@amanda_arm dia 1 de dezembro de 2009
8 comentários
compartilhe

pesquisa

contato

RSS Feed