
Abro a janela pra vê-la cair fina. Deliciosamente silenciosa e fria.
Ela sempre foi sinônimo de silêncio, meditação. De música cantada com os olhos. Abraços dados em gotas.
Da tristeza errada, carregando o corpo com saudade de outra metade que não existe. De uma vontade incompleta daquele sei-lá-o-quê com cheiro de baunilha.
De pipoca, filme, algodão doce e sonho de padaria.

Ninguém deve gostar tanto de chuva quanto eu. Do cheiro de avô-anjo que ela me traz. Da memória de um beijo que nunca existiu.
Peço que me falte sempre guarda-chuva. Que ela me molhe sempre que precisar lavar a alma. E cante para eu dormir em noites quentes.
Tomara que eu a odeie por um segundo, enquanto penso que ela estragará meus sapatos novos; e que no segundo seguinte eu me lembre que, na verdade, prefiro mesmo andar descalça.
E que as nuvens nos lembrem sempre que carregar memórias ruins é opcional. Pra gente ver com os olhos como elas ficam mais bonitas depois de chover, e lembrar que tudo aquilo que foi lavado por ela já não deveria estar ali de qualquer jeito.
Que para alguns, ouvi-la seja sinônimo de contato com Deus. Ou Jah. Ou Buda. Ou Guaraci. Ou Zeus. Ou qualquer forma de bem superior. E que para outros, ela não seja nada além de incômodo, forçando-os lembrar que vez ou outra faz bem mudar os planos.
Mas que ela nunca passe despercebida. Que por mais adversas sensações que a mesma chuva possa causar nas pessoas, indiferença NUNCA seja uma delas.

PS: SaiDaqui!
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