Só escrevia quando transbordava

Odiava confessar, mas adorava a inspiração que a solidão lhe causava às vezes.

Parecia uma máquina de criar textos românticos, histórias inventadas, amores não existentes. Sentia-se segura no mundo de sonhos que fazia colorido em volta de si sempre que o dia ficava em tons de cinza.

Era só pra ela que ele existia. Talvez se fosse pensar bem, ela nem queria que ele existisse no mundo real. Porque ali ele necessariamente teria defeitos e provavelmente não a faria feliz assim, como fazia nas noites de sono calmo e tranquilo.

Talvez o mais legal de tudo era o fato de ele não existir. Porque assim ele podia ter pra ela, uma fisionomia diferente por semana. Um trejeito diferente por dia, e uma surpresa apaixonada a cada manhã.

Sua mente viajava em velocidades tão grandes que as mãos já não acompanhavam. Engasgava palavras contraditórias, cheias de fervor e sentimento que lhe transbordava. Gostava de colar no papel todo aquele amor que tinha guardado no peito e ainda não sabia pra quem mostrar.

Gostava de inventar caminhos a trilhar. Em poucos minutos, já tinha sido mãe solteira, ficado pra titia ou se divorciado 4 vezes. No fim das contas era grisalha, ainda cheia de amor pra dar.

Sempre se imaginava com brilho nos olhos e sorriso nos lábios. Era seu maior desejo ficar assim pra sempre.

Não quer dizer que ela não amava a vida real: pelo contrário. Era dali que surgia tanta imaginação. Sabia que ia encontrar alguém especial um dia.

Enquanto isso, fazia textos em doses homeopáticas e granuladas, porque achava que nem o papel aguentaria impresso em si tanto sentimento. Só escrevia quando transbordava.

O problema é que transbordava quase sempre. De amor, de esperança ou de solidão.

@amanda_arm dia 11 de maio de 2011
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Alacridade nossa de cada dia

Desvencilhe-se de planos, de esperanças e de tudo que é físico, material ou sentimental por algum tempo.

Pratique o desapego. Dê roupas que já não usas embora, passe pra frente o que já não te serve mais. Se um dia emagreceres o suficiente pra entrar de novo naquela calça jeans, compre outra, ainda mais bonita. Dê ela embora.desapego3

Guarde apenas lembranças. Não precisa ter o papel de bala do carinha que te deu o primeiro beijo, nem o ticket de cinema que você foi com o primeiro cara que transou. O passado não precisa ocupar espaço no teu presente.

Guarde na memória o que já passou. Passado é um lugar lindo, construído apenas para visitas irregulares: nem pense em morar nele.

Não planeje o que fazer amanhã. Nem o que vestir. Principalmente se você for uma virginiana mega preocupada com detalhes e organizada como a besta antagórica que vos escreve. Não faça reservas no restaurante. Apenas apareça por lá. Se tiverem vaga, theo-24 cr ótimo! Senão, parta pra outro.

Desvencilhe-se de esperanças quanto aos outros. Não espere atitudes que você faria. Não planeje nada. Faça parte do grupo que adora ser surpreendido com o que vier de bom, ao invés de decepcionado se a outra pessoa não agiu ou falou o que você esperava. Todos nós somos diferentes, e portanto, agimos de formas inesperadas perante à situações diversas. Já disseram uma vez que se uma pessoa não gosta de você tanto quanto você esperava, isso não quer dizer que ela não goste no nível máximo que ela sabe fazê-lo.

Cuide de você. Viva num estado de alacridade diária. Não dependa de nada material nem ninguém diferente de você mesmo pra te fazer feliz.

Faça nada. Pratique paciência. Durma mais. Sorria mais. Ande descaço. Dance na chuva. Tome sorvete quando gripado. Beije mais. Use uma roupa diferente. Dê mais chances ao mundo.

Faça-se feliz diariamente. Pra mudar o mundo, basta começar contigo.

E SaiDaqui!

@amanda_arm dia 30 de junho de 2010
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