Honestamente? Nunca pensei em ser mãe.
Vejo as pessoas escrevendo cartas para filhos que não existem, escolhendo nomes para imaginações de vidas perfeitas nascidas ao lado de alguém que ainda nem encontraram, fazendo planos de casas com cerca branca, janelas azuis e pomar no quintal e me sinto uma alienígena sem coração.
Nada contra, mesmo. Acho que pelo contrário: sinto uma ponta de inveja de quem consegue sonhar assim.
Adoro crianças, não me entendam mal. Faço cara de “ooouuun” quando vejo uma e adoro brincar com elas. Tenho paciência e sei muito bem cuidar de uma, em todas as idades. Mas é tudo no melhor estilo “Chorou? Devolve para a mãe” até então.
Ser mãe é uma responsabilidade absurda, e por isso eu acho que as pessoas deveriam pensar duas, três, trinta, cinquenta vezes antes de sair fazendo filhos por aí.
Ter um filho é gerar mais um ser para esse mundo louco que estamos. Assumir toda a responsabilidade por ele. Ter alguém para se importar e amar mais do que a si mesmo. Chorar quando ele estiver doente, sorrir quando ele conseguir qualquer tipo de conquista. Se orgulhar, sofrer, e dar sempre o melhor de si. Viver se questionando se está fazendo o certo e ter as melhores intenções de formar um bom ser humano.
Amar outro ser incondicionalmente. Ter medo de perder o que você fez de mais perfeito e valioso, mesmo sabendo que ele não é seu.
Entender que filhos são criados para o mundo, e que eventualmente, eles irão partir.
Ser mãe, no fim de tudo, é conseguir sorrir ao vê-lo ir embora, independente e preparado para seguir seu próprio caminho, mesmo que isso lhe custe um pedaço do coração.
Posso nunca ter desejado ter um filho, mas provavelmente a hora chegará. E se isso acontecer, que eu seja o melhor de mim.
Mesmo que eu nunca tenha pensado em seu nome.
Somos feitos de pensar. E mais que isso, de agir.
Nossas ações refletem para as pessoas que conhecemos de uma maneira única, capaz de formar opiniões e causar impressões quanto ao que elas julgam certo e errado, ou bom e ruim.
Infelizmente, somos todos humanos carentes, que utilizam-se quase sempre de sentimentos e sensaçõesalheias para nosso bem estar. Digo infelizmente porque como a dualidade do mundo nos ensina todo dia, para todo bem, há um mal; e certas pessoas não são dignas de respeito devido atitudes que tomam e ao prejudicar outras pessoas, omitem-se.
Quando o assunto é relacionamento amoroso então, a coisa só tende a piorar. Pessoas com amor ferido viram bichos irracionais. Agem com intenção de ferir e prejudicar.
Esquecem que em algum momento, aquela outra pessoa já foi capaz de mostrar-lhes o significado da palavra felicidade, e que fizeram planos juntos para talvez uma vida inteira. Agem com ódio. Na maioria das vezes, apelam para filhos (no caso de tê-los) e/ou dinheiro.
Como ouvi semana passada de um amigo: “Se quer realmente conhecer uma pessoa, mexa nos bolsos dela” – é fato.
Porque afinal, cada um lida como consegue com seus problemas. E não que seja fácil, mas é possível fazê-lo com um pouco de dignidade. Assumir os erros e consertar as burradas feitas no auge da imaturidade e irresponsabilidade que atingiram quem já não tem mais nada a ver com ambos.
Omitir-se sempre foi um ato de covardia. Negar a consertar os próprios erros e deixar que terceiros o façam, pior ainda. Mais que prejuízo financeiro/emocional, essas pessoas causam decepção, repulsa. E dó. Dó por serem baixas a tal ponto.
Relacionamentos acabam. Mas a amizade e o respeito não deveriam. No fim, aquela esperança de sobrar passado bom, carinho e lembranças que no início era tão fácil, se esvai com tantas meias palavras mal ditas entre linhas doloridas de se ler. E ações tristes de se presenciar.
Foi assim com meus pais. Foi assim com os amigos dos meus pais. Foi assim com alguns amigos. E espero que nunca seja assim com você.
Agora, SaiDaqui!

Alves era um cara comum. Apaixonou-se perdidamente, casou e teve uma filha muito cedo. Acontece aos montes.
Hoje, oito anos depois, sabe que o “acidente de percurso” foi a melhor coisa que o aconteceu. Ainda ama a esposa. Tem um bom emprego, um bom coração.
Não se arrepende de nada, mas gostaria muito que algumas coisas fossem diferentes.
Afinal, ter uma relação tão duradoura exige muito de ambos os lados. Com filhos envolvidos então, nem se fala. É tamanho desgaste mental, financeiro e pessoal, que amor deve sim ser capaz de superar tudo isso.
E sexo.
Porque é hipócrita quem afirma que sexo não é importante. Como assim não é importante? Sexo é ESSENCIAL para um relacionamento de sucesso.
Hoje, utilizarei Alves como estudo de caso. Tive o imenso prazer de conversar com ele e tentar entender o que lhe faltava. Pensar e ajudar com dicas que possam melhorar suas “frustrações” sexuais num relacionamento que já existe há tanto tempo.
Falta de sexo? Infelizmente, a tendência natural é nos acostumarmos com a presença constante do parceiro e sentirmos uma diminuição no apetite sexual. Aquele pensamento errado de “ele está ali. Posso transar quando quiser” e se esquecer de realmente fazê-lo. Rotina meus caros, é uma merda. Quando menos percebem, estão transando apenas em dias marcados, ela de calcinha bege e ele de cueca e meias.
NÃO! Como sempre digo por aqui: Inove. Se ele não o faz, faça você! Experimente o poder de uma Lingerie nova, como já escrevi aqui. Vão para um Motel diferente. Transem em outra posição. Vão à um Sex Shop. Assistam pornô. Comprem um Kama Sutra. Troquem mensagens quentes durante o expediente. Surpreendam-se.
Dependendo da relação e concordância do casal, chame alguém para fazerem um menáge. Sei lá. Encontrem formas para apimentar a relação. ISSO é saudável, desde que feito com responsabilidade e consentimento de ambas as partes.
Tudo é válido no sexo. TUDO. Basta um pouco de criatividade.
O que não vale à pena, é se contentar com pouco. Sexo é vida. Certo Alves? Comece a mudar a sua.

E SaiDaqui!!
“Tião do Caminhão”, como era conhecido José Antônio Marques Cunha da Silva. Tinha na época, 47 anos de idade. Era caminhoneiro há tantos anos que não sabia fazer outra coisa.
Decidiu que seria caminhoneiro aos 15, depois de assistir um programa na TV em preto e branco que seu pai tinha lhe dado. Queria conhecer esse “Brasilsão” – como ele mesmo dizia.
Não chegou a terminar os estudos. Queria logo por os pés na estrada. Assim que conseguiu sua habilitação, partiu em busca de aventuras. Claro que pensou em desistir várias vezes nos primeiros anos: a vida de caminhoneiro era muito mais difícil do que ele pensava.
Talvez por comodidade, acabou ficando. Sempre dizia que pararia no ano que vem. Até que conheceu Marta. Uma morena jambo magricela, de olhos castanhos e cabelos finos e longos. Casaram-se entre uma viagem e outra de Tião.
Agora, parando pra pensar, Tião se deu conta que já casara há 25 anos, e que tinha 4 filhos lindos com Marta. Sempre que viajava, ele morria de saudade de casa, mas achava demais “a sensação de voltar pra casa”.
Nunca havia tido um acidente. Era motorista muito cauteloso. Dormia o suficiente, dirigia bem atento, nunca bebia ao volante. Não fumava, não usava drogas, nem traía a mulher. Era um homem simples e de bom coração. Precisava de muito pouco para ser feliz.
Gostava muito da vida correta que havia escolhido. Sempre fazia viagens curtas, e evitava passar mais que 10 dias longe de sua família. Mas aquela viagem tinha sido pedido específico do patrão. Seriam 25 dias de sofrimento e saudade.
Com o aperto de dinheiro que viviam, ele não podia dizer não. Até porque, aquele dinheirinho garantiria a reforma na casa que há tanto tempo planejavam.
A viagem estava tranquila. Já era seu vigésimo dia longe da família. “Só mais 5”, pensou Tião.

Enquanto cantava junto ao rádio naquele dia, viu um caminhão fazendo uma ultrapassagem irregular. Ele sabia que não ia dar tempo. Ele sentiu que aquilo ia dar merda. Tentou frear num impulso, mas já era tarde. Os dois caminhões perderam o controle, e por mais que tentassem desviar, o impacto foi muito forte. Caíram serra abaixo, rolaram sabe-se lá quantas vezes. A cada pancada que sentia, um filho lhe vinha à cabeça. Deixou escorrer uma lágrima.
Pensou no gosto do feijão da Marta. Pensou em quanto sentia falta de casa.
O caminhão explodiu. Tião do caminhão morreu incinerado. Com gosto imaginário de feijão caseiro na boca, saudade da família, mas paz na alma.
Agora SAIDAQUI!
Acho que dentre os sonhos de quase todas as “pessoas biologicamente maduras” (refiro-me àquelas com capacidade de cuidarem de si mesmas e talvez de outras) está a vontade de ser pai ou mãe.
Talvez se trate de uma percepção completamente errada de minha mente viajada, mas acho que há uma certa hiprocrisia quanto a ter filhos cedo. Pare pra pensar: Cada vez mais divórcios, discordância e violência. Todos os dias vemos assassinatos e poluição. E sempre tem menos amor que ontem.
Daí a ter um filho completamente desplanejado, inesperado e sem condições financeiras mínimas para dar um bom conforto para aquela pobre criança que virá à este mundo desvirtuado em que vivemos, é um ato insanamente hipócrito.
Claro que acidentes acontecem, e quase sempre são bem vindos. Não trataremos deles nesse texto. Nem daqueles indesejados, porque já entraríamos no assunto aborto, que por sinal é tema para outro post.

Eu confesso que nunca quis ter filhos. Nunca tive vontade de “sentir as dores do parto e cumprir meu papel de mulher”, tive a plena convicção de que não teria filhos por diversas razões. Dentre elas, algumas principais que seguem:
Medo de ser uma péssima mãe. Sempre tive jeito com crianças. Mas as dos outros. Do tipo que se devolve quando começa a encher muito o saco. Aliás, como eu poderia estar presente nos momentos importantes do meu filho com meus objetivos de carreira, que envolvem muito estudo e trabalho? Até que ponto ter um filho e deixar para outras pessoas a responsabilidade de cuidar dele?
Perder minha liberdade. Viajar quando der na telha, tomar uma cervejinha com os amigos sem hora para voltar ter meus momentos sozinha ficaria fora de cogitação. Acho que no fundo, medo da responsabilidade (que talvez seja a maior na vida de qualquer pessoa).
O mundo está uma merda, convenhamos. É para esse mundo que eu quero trazer uma criança? Um mundo onde educação é uma carteira de investimento oferecida por qualquer banco por aí? Onde política e honestidade não andam juntas? Onde a pressão do mercado de trabalho começa antes do que deveria? Onde amor e compaixão deram lugar ao dinheiro? Aqui, onde se ele não fizer parte dos mais fortes, pode acabar fazendo malabarismo no semáforo?
A infância não é mais a mesma. Eu (que só tenho 22 anos) cresci brincando na rua, rolava no chão por causa de futebol, pega-pega e esconde-esconde. Fazia amizades de carne e osso.
Hoje, meus primos mais novos são craques em video games. E suas relações de amizade quase sempre vem de Orkut, Msn, Twitter, Facebook…E a amarelinha? Se perdeu onde? Brincar é somente divertido quando na Internet? Como assim? o.O

Por fim, não gostaria de ver no rosto do meus filhos sinais do ceticismo aos sentimentos mais bonitos da humanidade. Não quero que ele tenha um precoce desdém a relacionamentos amorosos, uma precoce falta de fé na humanidade…
Não sei. Tudo isso me assombra, e muito.
E antes que me perguntem: Sim, eu terei filhos. E não será por obrigação.
Todos os itens acima não desaparecerão do meu caderninho mental de preocupações, mas eu sei que ao lado de quem se ama, podemos fazer nosso melhor para evitar que eles nos assombrem. Eu sei que seremos ótimos pais. Daqui alguns anos, é claro. (Né @rbarato?
)
Agora SaiDaqui! e vai trabalhar…

"Não mamãe, eu não quero sair daqui!"
1959 era o ano em que eles se casavam. Ela, dez anos mais jovem que ele. E vários centímetros a menos. Hehehe.
Tiveram cinco filhos, que por sua vez lhe deram doze netos (eu sou a segunda mais velha). Somado aos genros e noras, eles têm hoje, no mínimo vinte e dois motivos de alegria e amor incondicional.
Se você já foi apressadinho em fazer as contas, percebeu que este ano, eles completam bodas de ouro. Isso mesmo: CINQUENTA anos de casado.
Claro que teremos festa, comilança, bebelança, parentes desconhecidos de tudo quanto é lado e todas essas praxes. Mas deixando as festas de lado, pense: CARALHO, como alguém fica cinquenta anos ao lado de alguém? É muito tempo, e lindo de se ver.
Sei lá. Acho que nem tem muito o que dizer…Bom, fato é que me pediram pra deixar uma mensagem para eles a ser passada no dia da festa, e eis o que escrevi.
“Cinquenta anos ao lado de alguém é uma vida. Definitivamente.
E hoje em dia, absurdamente raro de se presenciar. Infelizmente.
Para nossa alegria, vocês continuam sendo nosso alicerce. O início de algo que até hoje, chamamos orgulhosamente de “nós”. Um “nós” feito de cada vez mais gente, graças ao cara lá de cima.
Porque em coração de vô e vó, vai SEMPRE caber mais um.
E sabe o que mais cabe sempre?
Um banho de chuva.
Um café da tarde.
Um jogo de tranca.
Uma festa de aniversário.
Uma partida de futebol na TV.
Uma palavra cruzada.
Uma bronca, um conselho, um abraço, e um beijo.
Porque isso, é o melhor de tudo que temos. Que NÓS temos.
Vô; Vó: Nada seria tão bom sem vocês. Nem tão feliz.
Eu amo vocês. E não é pouco.”
Ok. Agora SaiDaqui.