Segunda Cultural 32: Namorados para Sempre (Blue Valentine)

Não costumo assistir romances.

Pra mim, eles servem pura e simplesmente para nos provar que amor de filme, só existe em filme mesmo. E nos dar um tapa na cara dizendo que realidade não condiz com aqueles kilos de lenço de papel que usamos de emoção ao ver histórias tão lindas.

Que nunca acontecerão conosco.

Mas em Blue Valentine vi algo diferente.

Porque  o escritor e diretor Derek Cianfrance se tocou dessa frustração universal entre finais felizes e realidade, e decidiu contar a história do casal Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams), que tiveram uma linda história de amor, iniciada em problemas e frustrações de uma gravidez, mas que enfrentaram tudo isso.

Contudo, ele decidiu mostrar o que vem depois do até então “felizes para sempre” e nos aborda com o presente de um casal que está junto há anos, e vive de rotinas. Com uma relação abalada e problemática, Dean e Cindy passam por uma crise: Enquanto Cindy trabalha duro como enfermeira em um hospital local, Dean faz bicos como pintor, fuma e bebe muito,  e cuida da filha do casal.

Essa rotina exaustiva do casamento somada à falta de ambição de Dean, faz com que Cindy questione-se sobre o sentido da união; o que leva Dean ao desespero de um reascender de amor e decidem passar a noite num motel temático.

Em forma de flashbacks que nos levam ao passado “perfeito” do casal, intercalados com a vida infeliz que agora levam,  Blue Valentine é uma históra de amor que convence.

Porque é envolvente e remete à muitas situações do nosso próprio dia a dia. É uma história comum. Uma possibilidade real.

Foge do padrão #mimimi romântico, e conta a história de pessoas normais, com encontros e desencontros. De suas diferenças e como isso reflete numa vida a dois.

Com um final sem surpresas, e sim cheio de realidade. Sem fogos de artifício. Apenas verdades jogadas no fim de uma história que já foi de amor um dia, e não é mais.

Agora SaiDaqui!

@amanda_arm dia 21 de fevereiro de 2011
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Das oportunidades que a gente perde…

Das oportunidades que a gente perde.

De dizer que se gosta. Olhar nos olhos. Dar um abraço. Oferecer um sorriso, dividir uma vida ou acorrentar uma alma.

De calar a boca. Mandar à merda. Dizer que não gostou. Chorar, bater ou ausentar-se.

De tudo que deixamos escapar por entre os dedos, a pior oportunidade que perdemos é sempre aquela que envolve amar novamente. Deixá-lo ir embora por nenhuma justificativa plausível que não o medo. De viver um grande amor.

Criar obstáculos imaginários, desculpas esfarrapadas e traumas passados para não amar de novo.

Fingir que não se importa, ser indiferente ou ainda fugir sem dar explicação alguma.

Não ser capaz de olhar nos olhos e sentir na alma. Ter vergonha de dar as mãos.

Olhar e não ver. Que aquela é outra pessoa. Que ele não tem culpa do que você já sofreu no passado. Que nenhuma história é igual à outra. E que ele não deve pagar pelas feridas que outras pessoas causaram à você.

Esse medo, bobo, incoerente e oportunista, que faz calar ao sentir que deveria estar gritando. Empurrar o abraço pedindo um beijo com os olhos.

Essa oportunidade perdida por nada, quebrando corações alheios e evitando possíveis finais felizes.

Essa mania idiota de protegermo-nos com barreiras imaginárias em volta de um coração partido.

Essa dificuldade de dizer verdades e sentimentos, que dão espaço à silêncios constrangedores e desnecessários.

Essa coisa tão dita inexplicável e complicada, chamada amor. Que na verdade, é tão simples que perdemos as oportunidades de vivê-lo enquanto preocupamo-nos em decifrá-lo.

@amanda_arm dia 7 de fevereiro de 2011
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