Mais um dia que chega ao fim, e na solidão infinita de um quarto vazio e escuro, mergulhado entre os pensamentos e dúvidas que vivem assombando os cantos menos habitados de sua alma, você se enxerga enojado. Inebriado de tanto duvidar de si mesmo.
Se pega várias e várias vezes montando ciclos infinitos de uma vida que poderia ter sido: todas com finais infelizes. E se pergunta: onde estou?
Desesperado, você tenta novamente e num esforço sobrehumano, olhar em volta e sentir-se em casa. Mas é em vão. Porque no fundo você já sabe que seu lugar não é mais aqui. Talvez um dia tenha sido. Hoje, não mais.
Tudo porque você acreditou que algumas coisas poderiam durar muito tempo. Que alguns dos planos que pareciam ir tão bem, eram sólidos e quase infinitos. E que certas pessoas jamais iriam te machucar.
Um tapa na cara teria doído menos que a realidade dolorida e incontestável, aquela que insiste em vir sempre de cara tão limpa, lhe tirando as máscaras da inocência e dando-lhe uma boa dose de decepção. Dupla. Sem gelo.
E você relembra de tudo que parecia eterno na vida, e se desfez: desde a família comercial de margarina à novela Mexicana até o que você pensava ser o “emprego dos sonhos”, que lhe alcançou tão cedo, e tão brevemente igual lhe foi tirado.
Pensa que a vida não é justa, mesmo sabendo que, no fundo, as coisas eventualmente se resolverão. Que tudo isso que hoje lhe faz tão triste, é só um meio de trazer um caminho ainda melhor. Que sorrir é fácil, só não hoje.
Decide que o melhor a fazer, é deitar-se. Nada como uma boa noite de sono para acalmar uma alma aflita e indecisa. Nada como o silêncio da noite para velar o sono dos que pensam demais, levar embora toda essa angústia e tristeza que vez ou outra lhes domina.
Você sabe. Tem certeza: Amanhã, é outro dia.
Boa noite.
Honestamente? Nunca pensei em ser mãe.
Vejo as pessoas escrevendo cartas para filhos que não existem, escolhendo nomes para imaginações de vidas perfeitas nascidas ao lado de alguém que ainda nem encontraram, fazendo planos de casas com cerca branca, janelas azuis e pomar no quintal e me sinto uma alienígena sem coração.
Nada contra, mesmo. Acho que pelo contrário: sinto uma ponta de inveja de quem consegue sonhar assim.
Adoro crianças, não me entendam mal. Faço cara de “ooouuun” quando vejo uma e adoro brincar com elas. Tenho paciência e sei muito bem cuidar de uma, em todas as idades. Mas é tudo no melhor estilo “Chorou? Devolve para a mãe” até então.
Ser mãe é uma responsabilidade absurda, e por isso eu acho que as pessoas deveriam pensar duas, três, trinta, cinquenta vezes antes de sair fazendo filhos por aí.
Ter um filho é gerar mais um ser para esse mundo louco que estamos. Assumir toda a responsabilidade por ele. Ter alguém para se importar e amar mais do que a si mesmo. Chorar quando ele estiver doente, sorrir quando ele conseguir qualquer tipo de conquista. Se orgulhar, sofrer, e dar sempre o melhor de si. Viver se questionando se está fazendo o certo e ter as melhores intenções de formar um bom ser humano.
Amar outro ser incondicionalmente. Ter medo de perder o que você fez de mais perfeito e valioso, mesmo sabendo que ele não é seu.
Entender que filhos são criados para o mundo, e que eventualmente, eles irão partir.
Ser mãe, no fim de tudo, é conseguir sorrir ao vê-lo ir embora, independente e preparado para seguir seu próprio caminho, mesmo que isso lhe custe um pedaço do coração.
Posso nunca ter desejado ter um filho, mas provavelmente a hora chegará. E se isso acontecer, que eu seja o melhor de mim.
Mesmo que eu nunca tenha pensado em seu nome.
E lá estávamos eu e minha linda ERMÃ PRETA JACARÉ confabulando em mais um plano de dominação mundial, quando surgiu a idéia de postar por aqui nossas idéias malucas. Ela curtiu, aceitou o convite, e a partir de HOJE, teremos esporadicamente textos dessa monera gostosa chamada @Caronella o/ Ah, e aproveita pra passar no TPMSemanal também
Vamos ao que interessa?
Logo que sai do relacionamento mais sério que já tive e me deparei com a situação “estou solteira”, levei um baque muito grande. Talvez por costume, talvez por comodismo, eu não sabia muito bem como lidar com a situação “na pista”. Mas, com o tempo, fui re-aprendendo a me divertir com os amigos, só com os amigos, sem ter alguém ao lado, com quem você vai embora quando acaba a noite.
O que muitos chamam de “bem resolvida” nunca enxerguei muito em mim. Penso que só resolvi colocar na prática o que sempre idealizei pra uma vida de solteira: estudar, construir uma profissão, beber sempre que possível, pegar meu carro e ir pra onde eu bem entendesse. Querendo ou não, quando se está namorando, você tem algumas pretensões que não lhe cabem mais quando se fica solteira. E é isso: mutação. As circunstâncias mudaram e eu tive que me adaptar.
Mas foi dessa adaptação que comecei a perceber que ELES tinham medo. Parece que ter um futuro formulado (que, pra mim, é o mínimo que todas as pessoas deveriam ter pra si) me tornava menos frágil e, logo, menos acessível, ou menos domável, depende do seu ponto de vista de análise. Como se eu não sonhar em casar, nem sonhar em ter filhos com 25 anos amedontrasse os caras que tentavam se aproximar.
E você deve agora estar pensando: “ah, Carol, o cara não vai querer nada com você porque você não pretende lavar a roupa dele?”, e eu respondo: SIM! Claro que não com essa lógica e objetividade, mas é por aí mesmo. O fato de eu não ser tão dominável assusta, é claro. É uma questão social e eu nem devo entrar nesse debate. Mas o medo de se envolver e, no caso, eu ter uma ação tipicamente masculina (de não me apegar ou não corresponder ao carinho) fez com que muitos homens com quem me relacionei nesse último ano se afastassem. Parece bizarro, mas a insegurança que a postura de uma mulher “bem resolvida” pode causar em um cara é INESTIMÁVEL.
E agora vocês devem estar rindo e pensando: “coitada da Carol, vai ficar pra titia!”. Mas ai eu pergunto “qual o problema?”. Eu tenho minhas dúvidas se devo modificar meus planos de carreira por conta de um possível relacionamento. Aliás, relacionamento é uma questão de concepção e na minha as duas pessoas envolvidas precisam compreender seus lugares.
Cada um tem seu espaço e sua liberdade que DEVE ser respeitada e preservada por ambos para que a relação permaneça saudável. Duas coisas primordiais que definham relacionamentos pelo mundo a fora: falta de confiança e de liberdade na dose certa. Você não cometeu nenhum crime pra ficar preso e angustiado. O amor que dizem ser por aí é apenas posse e desse eu estou fora.
Ah, eu não mordo… só se pedir!
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Agora SaiDaqui!
Infância:
Walcir era um menino pobre, negro, sem estudos e além de um pai foragido da polícia, tinha uma mãe alcóolatra. Ele e seus quatro irmãos (cada um de um pai diferente) dividiam um quarto minúsculo na periferia de São Paulo. Além do espaço, tinham a comida contada e o dever de catar papelão diário. Fizesse chuva ou sol. Em seu tempo livre, gostava de jogar bola na terra com seus milhares de amigos.
Plínio por sua vez, era rico, ruivo, branco e falava três línguas. Tinha de prontidão tudo que pedisse aos seus pais. e vivia sendo mimado: Ia pra escola quando tivesse vontade. Em dias de chuva, podia acordar mais tarde e ter aulas dentro da própria casa. Seu quarto era amplo e iluminado, com vitrais enormes e coloridos. Era filho único e tinha poucos amigos.
Adolescência:
Walcir comia pouco, era forte porque trabalhava muito e sorria sempre. Vivia cercado por drogados e bêbados, jurou que nunca seria igual à eles.
Plínio comia muito, teve que fazer redução do estômago muito cedo, não sabia o significado da palavra trabalho e vivia de mau humor. Se meteu nas drogas porque queria impressionar. Acabou numa clínica de reabilitação aos 19.
Maturidade:
Walcir estudava à noite (ia apenas em dias que não estava morrendo de sono ou fome) e se formou numa faculdade pública com muito esforço. Conseguiu um emprego relativamente bom. Conheceu a mulher de sua vida, casou e teve 3 filhos que tratava com todo amor do mundo. Atingiu a classe média e lutava sempre para dar o melhor para sua família. Era feliz como sempre fora, mas agora confortavelmente.
Plínio largou os estudos porque queria viajar. Acomodou-se com a herança dos pais e decidiu que viveria de farra. Transou com milhares, mas nunca conheceu o significado da palavra amor. No fim das contas, tinha que pagar por sexo. Perdeu boa parte da herança por não saber economizar. Estava infeliz como sempre fora, mas agora menos confortavelmente.
Velhice:
Walcir comprou imóveis, soube guardar dinheiro, fez trabalhos voluntários, educou os filhos e netos muito bem. Tinha a melhor família do mundo, gabava-se. Morreu por causas naturais, teve um lindo enterro e deixou sua boa lembrança na Terra.
Enquanto Plínio tornou-se cada vez mais miserável, a ponto de viver de favor, implorar por sexo e tornar-se foragido da polícia. Morreu novo, levou um tiro de bala perdida. Foi enterrado numa cerimônia simples, com pouquíssimas pessoas além do seu filho bastardo, o Walcir.
E nessas horas eu pergunto: É REALMENTE o ambiente que faz o homem? Das escolhas que a gente faz na vida, sempre há outro caminho. Cabe a você escolher o melhor deles. Pense nisso: Não importa como você começou, mas quer terminar como Walcir ou Plínio?
Pobreza é um estado de espírito, e não um extrato bancário. Suas atitudes o definem, nunca seu dinheiro.
E SaiDaqui!
Então tá. De tudo aquilo que a gente era, o que ficou afinal?
O que somos nós senão uma caixa de sapatos velha, com juras de amor eterno que não duraram uma eternidade. As fotos dos amigos para sempre que já não são amigos. Um par de tênis velho que te acompanha desde sei lá quando. Ou ainda a memória que já não se tem daquilo que talvez jurou não esquecer nunca.
Somos tudo isso, misturado aos amores que sempre sonhamos e ainda não tivemos. Os planos que juramos que não faríamos, mas vivem escondidos no fundo da memória. A vontade de dar a volta ao mundo, ter um filho, plantar uma árvore ou escrever um livro. Somos a intenção de ser melhor, mais rico, mais magro, mais amado ou mais bonito.
Além disso, somos o limbo que mistura o que éramos e o que seremos. Uma mistura que vez ou outra nos permite parar para reler as cartas e ver as fotos da caixa de sapato antiga, forçando-nos a fazer ainda mais planos: rever o amigo, reconsquistar um amor passado. Pedir perdão. Perdoar.
De tudo que somos hoje, somos o melhor que o passado e o futuro nos reservam. As melhores possibilidades daqui pra frente, somadas aos melhores acertos de antes de agora. Como se fosse uma melodia desafinada, desajustada, toda desequilibrada.
Melhor ainda: É como se vivêssemos no êxtase e na delícia da angústia de esperar que aquela pessoa chegue do nada, apenas se apresente e diga o porquê de gostar tanto de nos tirar do sério.
Vai dizer que não vale à pena?
PS:
Agora, SAIDAQUI!
Aeroportos são definitivamente, meu lugar favorito.
Nunca vi tanta magia concentrada num lugar só. Sempre me emociono.

É tanto reencontro e despedida que sempre dá um nó no peito. Em cada abraço cheio de lágrimas e despedidas já com saudade que vejo. Na euforia de cada criança que pula no colo do pai recém chegado. No sorriso e nos beijos dos reencontros tão aguardados.
Até dou risada daqueles estranhos que ficam com plaquinhas esperando determinadas pessoas que nunca viram. Dá pra ler na feição deles a pergunta “Como será que ele(a) se parece?”
Acho que é tanta esperança junta que transborda. Deixa um cheiro de romantismo no ar.
Um toque de amor, eu diria. Particularmente, sempre me pego pensando em situações românticas que já aconteceram ali. Em frases ditas ao pé do ouvido no reencontro apaixonado. Nos pedidos de casamento mais absurdos que talvez possam ter passado por ali. Nas lágrimas de pais que reencontram seus filhos e acalentam o coração. Nos corações partidos ali, por culpa da distância. Nos “adeus” sem volta que deixaram saudade e talvez tenham destruido futuros. Nos futuros ali construidos por encontros casuais e/ou programados.
Acho tudo tão lindo. As pessoas bem vestidas. Sempre animadas. Abertas a absorver energias boas.
Eu passaria horas diárias ali. Apenas observando e absorvendo emoções.
É. Definitivamente, aeroportos são mágicos. Preste atenção na próxima vez que visitar um.

E SaiDaqui!
Acho que dentre os sonhos de quase todas as “pessoas biologicamente maduras” (refiro-me àquelas com capacidade de cuidarem de si mesmas e talvez de outras) está a vontade de ser pai ou mãe.
Talvez se trate de uma percepção completamente errada de minha mente viajada, mas acho que há uma certa hiprocrisia quanto a ter filhos cedo. Pare pra pensar: Cada vez mais divórcios, discordância e violência. Todos os dias vemos assassinatos e poluição. E sempre tem menos amor que ontem.
Daí a ter um filho completamente desplanejado, inesperado e sem condições financeiras mínimas para dar um bom conforto para aquela pobre criança que virá à este mundo desvirtuado em que vivemos, é um ato insanamente hipócrito.
Claro que acidentes acontecem, e quase sempre são bem vindos. Não trataremos deles nesse texto. Nem daqueles indesejados, porque já entraríamos no assunto aborto, que por sinal é tema para outro post.

Eu confesso que nunca quis ter filhos. Nunca tive vontade de “sentir as dores do parto e cumprir meu papel de mulher”, tive a plena convicção de que não teria filhos por diversas razões. Dentre elas, algumas principais que seguem:
Medo de ser uma péssima mãe. Sempre tive jeito com crianças. Mas as dos outros. Do tipo que se devolve quando começa a encher muito o saco. Aliás, como eu poderia estar presente nos momentos importantes do meu filho com meus objetivos de carreira, que envolvem muito estudo e trabalho? Até que ponto ter um filho e deixar para outras pessoas a responsabilidade de cuidar dele?
Perder minha liberdade. Viajar quando der na telha, tomar uma cervejinha com os amigos sem hora para voltar ter meus momentos sozinha ficaria fora de cogitação. Acho que no fundo, medo da responsabilidade (que talvez seja a maior na vida de qualquer pessoa).
O mundo está uma merda, convenhamos. É para esse mundo que eu quero trazer uma criança? Um mundo onde educação é uma carteira de investimento oferecida por qualquer banco por aí? Onde política e honestidade não andam juntas? Onde a pressão do mercado de trabalho começa antes do que deveria? Onde amor e compaixão deram lugar ao dinheiro? Aqui, onde se ele não fizer parte dos mais fortes, pode acabar fazendo malabarismo no semáforo?
A infância não é mais a mesma. Eu (que só tenho 22 anos) cresci brincando na rua, rolava no chão por causa de futebol, pega-pega e esconde-esconde. Fazia amizades de carne e osso.
Hoje, meus primos mais novos são craques em video games. E suas relações de amizade quase sempre vem de Orkut, Msn, Twitter, Facebook…E a amarelinha? Se perdeu onde? Brincar é somente divertido quando na Internet? Como assim? o.O

Por fim, não gostaria de ver no rosto do meus filhos sinais do ceticismo aos sentimentos mais bonitos da humanidade. Não quero que ele tenha um precoce desdém a relacionamentos amorosos, uma precoce falta de fé na humanidade…
Não sei. Tudo isso me assombra, e muito.
E antes que me perguntem: Sim, eu terei filhos. E não será por obrigação.
Todos os itens acima não desaparecerão do meu caderninho mental de preocupações, mas eu sei que ao lado de quem se ama, podemos fazer nosso melhor para evitar que eles nos assombrem. Eu sei que seremos ótimos pais. Daqui alguns anos, é claro. (Né @rbarato?
)
Agora SaiDaqui! e vai trabalhar…

"Não mamãe, eu não quero sair daqui!"
Eu só queria poder dançar descalça enquanto todos pensam em salto alto.
Ser eu mesma quando tiver vontade, e nunca ter que me justificar para ninguém. Mandar nego tomar no cu quando der na telha, seja de verdade, ou só para encher o saco.
Fechar os olhos enquanto todos tomam energético para continuar acordados.
Pular da ponte enquanto todos tentam escalar o prédio.
E não ter nada em mente: Nem trabalho, nem casa, nem futuro. Conseguir relaxar por dois minutos.
Mas a vida não é assim, e eu não fui feita para dançar valsa. Por isso, sigo sempre, e as vezes sem querer no bom e velho rock and roll.
No ritmo frenético que a vida me obriga a dançar.
E buscar alguém para dançar de um jeito que já tentei dançar com vários outros, mas acabei me perdendo no ritmo, na sintonia, na melodia, ou no balanço.
E que esse alguém não saiba dançar.
Para que possamos aprender juntos.
SaiDaqui!