Por um 2011 com menos “eu te amos”

Confesso que sou imediatista, como a maioria das pessoas que conheço. Mas o conceito do “aqui e agora” tem limites, e convenhamos, nem todos parecem entender isso.

A gente vive se cobrando pontualidade, produção, resolução de problemas. Mas infelizmente, no ritmo frenético que normalmente compartilhamos com o resto do mundo, acabamos achando que sentimento também se cobra.

Amor à primeira vista pode até existir a certo ponto, mas não como as pessoas insistem em achar que é. Esse tal amor é como se fosse apenas a fagulha inicial de algo que pode se tornar gigante com o tempo, porque não se ama com todo o coração em uma simples troca de olhares.

As pessoas podem sentir as mãos suarem, o coração palpitar. Podem sentir borboletas no estômago, mas não se tocam que esse sentimento, é amor que brota. É simplesmente a nascente de algo que leva tempo e investimento sentimental.

Amor não se cobra. Ele aumenta proporcionalmente ao quanto se cuida dele.

De imediato, eu posso ter vontade de comer sonho de padaria, de tomar banho de chuva ou de dormir o dia todo. Posso querer AGORA um vestido da vitrine ou um novo corte de cabelo.

Mas com sentimento não funciona assim.

Aquela amizade com fulano exige confiança, talvez algumas biritas e uns segredos trocados. Alguns conselhos errados, outros certos. Acho que algumas ligações durante a noite pedindo colo e uma compania pra ir ao cinema em dia de cólica.

Conhecer o Twitter e ter alguns amigos em comum não o torna teu amigo.

Esse imediatismo todo tem banalizado amores e amizades. Todos se chamam de amigo do peito, todos dizem eu te amo.  Porque é fácil fazê-lo, criando a falsa sensação de um sentimento que ainda não é farto e completo.

Que 2011 seja repleto de sentimentos cheios. Intensos. Verdadeiros. Que você diga menos “eu te amo,” E que tenha menos “amigos”. Mas que todos eles sejam de coração. E absurdamente infinitos.

@amanda_arm dia 3 de janeiro de 2011
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Frustração

Eu sou frustrada.

Sempre fui cheia de imediatismos e idéias. Quero tudo pra ontem. E tudo ao mesmo tempo. É meio que insano ter tantas idéias divertidas e vontade de realizar tudo quanto é loucura que me vem à cabeça.

Vivo querendo fazer algo diferente e não consigo ficar parada. E sinceramente, essa vontade absurda e constante do novo me trouxe até aqui. Fugir dos paradigmas sociais estabelecidos por uma maioria bitolada, questionar a maneira que são aceitos, e buscar uma vida realmente livre e isenta de demagogias baratas foi sempre meu objetivo.

Aceitar que verdades são aquelas que encontramos dentro de nós mesmos, e que não é feio nem errado que elas sejam constantemente modificadas, já que nossa forma de ver o mundo se modifica com o passar dos anos.

Deveria ser implícito em todo e qualquer ser humano que se preze a vontade de fazer algo novo. De viajar. De conhecer pessoas diferentes. De andar por uma rua nova. Mudar de emprego. Cortar o cabelo. Beber outra marca de refrigerante (no meu caso, cerveja). Degustar uma comida diferente.

Mudanças nos levam para frente. Experiências nos ensinam. Viver realmente o que tanto se prega na teoria não deveria ser tão complexo.

Se eu fosse realmente atrás de tudo que quero fazer, eu já teria enlouquecido meio mundo. Já teria escrito uns 5 livros, praticado todos os esportes radicais que existem, dado a volta ao mundo umas 30 vezes e seria lutadora de MMA. Ou talvez tivesse fugido com o circo, aprendido a cantar, tocar 10 instrumentos diferentes e ostentaria a faixa preta em no mínimo 4 artes marciais.

Talvez eu ainda não tivesse trabalhado nunca, e vivesse de bolsas de estudo e seria feliz sem nunca ter saído do meu estado. Ou teria virado hippie. Vegetariana. Ou teria enriquecido cedo por um blog super bem sucedido e teria a casa mais divertida do planeta: com direito a cama com escorregador e um salão de jogos eletrônicos dos mais variados tipos. E talvez já teria provado todas as comidas do mundo! E se eu fosse astronauta? Veterinária? Sei lá.

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Por isso sou frustrada. Nunca consigo fazer tudo ao mesmo tempo. Às vezes não termino algo que começo. Seja por preguiça, seja por não ser o que eu esperava que fosse.  Mas sempre me vale a sensação de ter tentado. De poder dizer coisas fora do considerado “comum” pela sociedade, como:

“Eu já fui atacada por um coiote no deserto”, “Pular de pára-quedas é a melhor sensação que já tive na vida”, “Tive aranhas e cobras de estimação”,“Tatuagem dói, mas o resultado vale à pena”…

Acho que idade sempre teve muito mais a ver com experiência de vida do que com a quantidade de velas que há no bolo em determinado ano de nossa existência.

Eu ainda quero tanta coisa, que me frustra saber que não vou conseguir realizar tudo. Mas me basta tentar. Correr atrás do máximo possível de tudo aquilo que me agregar conhecimento, e deixar um rastro por onde passar. Tocar as pessoas. Ser alguém especial e presente, nem que por alguns segundos.

Passar pela vida seria fácil e chato demais. Eu vou atrás de mais que isso. Cheia de dúvidas, vontades aleatórias e frustrações por querer sempre mais. Eu não vou me contentar. E você? O que quer da vida?

SaiDaqui! E faça algo diferente para não se frustrar depois, pelos “SEs” que podeiram ter se tornado reais ;)

@amanda_arm dia 31 de agosto de 2010
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