Preciso escrever, parar de surtar.
Vomitar palavras conforme a vontade vier, deixar de me importar.
Criar o mundo meio termo entre realidade e vontade. Imaginar situações impossíveis possíveis, cheias de alacridade.
Fritar os miolos de quem ler, tentando imaginar: “PQP, onde essa guria quer chegar?”
Eu? Quero chegar ao nada, ao início de tudo. Aqui, onde eu posso ser bruxa, princesa e sapo, tudo junto.
Dizer meias verdades nas entrelinhas de faz de conta, fazer as coisas do jeito certo sem nenhuma dessas frases prontas.
Socorro, preciso gritar.
(…)
Ele, de All Star. Ela, descalça.
Ela, de cabelo solto, com uma florzinha ali do lado. Ele, despenteado.
Ele, camiseta branca. Ela, preta. Ou seria ao contrário?
(…)
Oi? É, também não sei.
Fui ali, fugi do corpo, devorei um sentimento que o coração precisa. Tive um flash, uma vida e um filho.
Um cachorro? Sei lá. Definitivamente um vaso de flores.
A mão ficou descrevendo o que o cérebro queria viver. Num transe perfeito do conto de fadas que todo mundo queria viver.
Outro flash. Agora real. A TV que mudou de cores. A consciência voltou ao normal. Em volta? O vazio, o espaço, o nada.
De volta ao trabalho, preciso parar de surtar.
E você, #SaiDaqui!
Nunca haviam trocado uma palavra sequer.
Mas com aqueles olhares, nenhum precisava dizer. Sem pudor nenhum, como se ambos estivessem se despindo mentalmente. Vez ou outra até escapava um sorriso malicioso, de tanta vontade que explodia.
Estavam na praça de alimentação de um shopping. Era fim de tarde de uma sexta-feira véspera de feriado. A cidade estava vazia.
Ele, no canto direito da mesa, saboreava qualquer coisa ao molho branco. Mas o paladar o traía: a imaginação já estava tão longe que quase podia sentir o cheiro e o gosto do sexo dela. Aquela estranha loira, farta e bem vestida. Ah, como ele queria tocá-la.
E a sensação se fazia aumentar, por saber estar sendo mentalmente correspondido. Teve que esperar que a ereção diminuísse para que fosse capaz de levantar e falar com ela. Só ele sabe como teve que se concentrar para não continuar a transa em sua mente deliciosamente poluída.
Decidiu ser direto. Sentou ao lado dela já conversando qualquer futilidade que liderasse em minutos, para uma conversa mais suja. Ela sorria e vez em quando, mordia os lábios de vontade de beijá-lo.
Decidiram ir para o motel mais próximo.

Ele não sabia como, mas ela conseguia ser ainda mais sexy que nos pensamentos dele. Ah, como ela o excitava! Vestia um conjunto preto de lingerie. Nada muito trabalhado, mas incrívelmente ajustado às curvas de seu corpo. Não via a hora de penetrará-la.
Iniciaram com carícias fortes, já com beijos molhados e sexos, idem. Trocaram um oral inesquecível. Ela com cara de marota, não resistiu e gozou enquanto ele a chupava. Ele sorria de prazer enquanto ela se contorcia toda.
Ela arranhou suas costas, e o puxou pra perto. Trocaram um olhar breve, enquanto ele a penetrava com toda vontade que seu ser permitia. Ambos deixaram escapar um gemido alto. Até coraram.
Foram duas horas ininterruptas de sexo selvagem. Entre arranhões, puxões de cabelo e gemidos de dor e prazer, gozaram juntos (ela já pela 4
ª vez) e caíram mortos de cansaço.
Dormiram nos braços um do outro, acariciando-se levemente.
Acordaram em seguida. Trocaram-se. Foram embora, cada um pro seu lado. Nem trocaram telefone, muito menos juras de se sencontrarem novamente. Como belos estranhos que eram.
E ambos lembram com prazer até hoje, da melhor transa de suas vidas. Com direito a nem saber os nomes um do outro.
Agora SaiDaqui!
Sério. Eu sempre me assusto com a capacidade humana de criar involuntariamente as situações mais bizarras, engraçada e/ou assustadoras durante nosso tão merecido sono.
Essa noite tive um dos pesadelos mais estranhos EVER. Nem em mil anos eu pensaria sozinha numa situação esdrúxula (realmente, esdrúxulo é uma palavra esdrúxula) dessas.
Decidi compartilhar com vocês.
Lá estava eu e um amigo random (que não sei quem é) andando no meio de uma praça, quando de repente fomos parar numa oficina de fundo de quintal. DETALHE: Nenhum de nós dois tinhamos carro, o que fomos fazer numa oficina à pé?
Um homem de uns dois metros de altura veio nos atender. Forte, carrancudo e de pele bem morena. Todo mal educado. Perguntou o que queríamos ali, e mandou a gente embora.
Parece que aquilo despertou o estinto “macho” no meu amigo (da onça né?) e ele começou a gritar com o Montanha (era assim que chamavam ele). Disse que sabia que aquela oficina era fachada e que estávamos ali por causa do “real negócio” dele.
Pronto. Primeira coisa que pensei foi “DORGAS MANO”. Mas eu estava MUITO errada.
Passamos por uma porta de vidro, e pareceu que entramos numa casa. Saímos daquele ambiente sujo e cheio de graxa para um lugar todo cheio de caixas e gaiolas. Uma senhora muito simpática nos atendeu, era a mãe do tal Montanha. Até que então eu me toquei, “PUTA QUE PARIU, o real negócio dos caras é traficar cachorro de raça!”.
Bom, para os que não sabem, eu sou protetora dos animais e aquilo ali era uma atrocidade. Claro que eu não ia brigar ali com a senhora, porque aquele armário do filho dela estava do lado. Mas ai sair dali, a primeira coisa que fiz foi denunciar o caso pra Zoonoze da cidade.
Fato é que eles tinham contatos e influência lá também. E aí fodeu de vez.
Em dez minutos eu estava correndo (sozinha) como nunca pra fugir de uns quatro caras exatamente como o Montanha. Quando fui tentar pular um muro, eles me pegaram.
Amordaçada, presa numa cadeira, e cheia de hematomas, eu não lembro de nada que eles disseram. Mas me lembro como se fosse real cada soco, tapa, chute e pontapé que me deram. Fui espancada até desmaiar. O último golpe foi com um taco de beisebol.
Quando acordei, senti a falta dos dois dentes da frente, e estava me afogando em sangue. Me jogaram água na cara e disseram pra eu nunca mais me intrometer no negócio deles.
Depois fui jogada de volta na mesma praça do começo do sonho, e um mendigo me levou pro hospital.
Só sei que cheguei no hospital e todo mundo lá só falava japonês. Pensei comigo “FFFFUUUUUUUUUUUUUUU”, e acordei.

Oi? Pois é. Vai entender…Agora SaiDaqui!