Queridos leitores,
Venho por meio deste declarar oficialmente meu pedido de desculpas à vocês por não estar postando diariamente essa semana no blog.
Acontece que: meu gato fugiu, estou de mudança, estamos na copa e receberemos visita em casa essa semana.
Sei que nenhum dos motivos acima justifica, mas eu queria dar uma desculpa razão para vocês me entenderem.
Sem mais, digo que amanhã voltamos normalmente com nossas quintas sexuais.
Obrigada pela atenção, e lembrem-se: Jamais trema em cima da linguiça depois da correção ortográfica!
E pra você não perder a viagem de vir até aqui para ler minhas desculpas esfarrapadas, deixo uma dica de filme e trilha sonora MARAVILHOSAS. Se bem que, eu sou suspeita por amar Tim Burton.
Assistão! (Antes de alguém me corrigir, o erro no verbo foi proposital). The Nightmare Before Christmas, vale muito à pena.
Agora SaiDaqui!
Ela o avistou de longe. Ele estava sentado, encolhido num banco de praça, com uma mão no colo.
Ao seu lado, um pacote de biscoitos. E havia desprezo em seus olhos.
Ela sentiu o rancor ao longe, e decidiu passar mais perto, só de curiosa que era.
Conforme se aproximava, notava que todas as pessoas reparavam e olhavam para ele de maneira diferente. E que ele respondia com o mesmo olhar rude, às vezes até com palavras ácidas.
Percebeu então que ele não possuía um dos braços, e entendeu na hora o que se passava.
Era um senhor de mais ou menos 40 anos de idade. Grisalho, magro, bem afeiçoado e vestido de maneira casual com velhos jeans e camiseta creme. Uma das mangas estava amarrada.
Engraçado como tempo e desdém enrijece o coração das pessoas. Parecia que ele estava cansado daquele mundo de preconceitos, onde todos olhavam para ele como uma aberração qualquer.
Ela decidiu sentar-se ao lado dele. Pegaria o próximo ônibus. O trabalho poderia esperar.
Disse um bom dia simpático, e não obteve resposta. Ficou em silêncio por tempo indeterminado, até que ele iniciou uma conversa:
“ Quer um biscoito?”
Ela negou educadamente, alegando que já havia tomado café da manhã.
“Desculpe pela grosseria. É que não estou acostumado com pessoas sendo simpáticas comigo” – Ele acrescentou.
Ela assentiu com a cabeça, e disse que entendia. Contou a história de sua irmã mais nova, um anjo especial que papai do céu enviou pra ela cuidar. Contou das aflições que passaram, explicou a síndrome dela pra ele. E finalizou dizendo como se sentia mal todas as vezes que alguém a olhava daquele jeito diferente.
Contou com aperto no coração quantas vezes ela mesma sentia vontade de xingar ou agredir aquelas pessoas preconceituosas que a olhavam com desdém. E de como ela precisou se segurar em todas elas.
Detalhou o máximo que pode como a pequena irmã a abraçava quando sentia vergonha de ser “diferente” e chorava dizendo que aquilo não era justo. E de como ver aquela cena sempre partia o seu coração. Acho que se ela pudesse, trocaria de papéis com a pequena, só para não vê-la chorar daquela forma.
À essa altura, o homem estava com lágrimas nos olhos. Perguntou se podia não dizer nada.
Ela apenas sorriu. Desejou-lhe um bom dia, e disse que não ligasse pro que os outros pensassem. Mandou-o buscar felicidade dentro de si mesmo, e de quem não ligava por ele ser especial.
Foi embora. Não disseram mais nada.
No dia seguinte, lá estava ele, no mesmo lugar. Mas com semblante muito melhor. Ele a avistou de longe, deu um largo sorriso e gritou: “Bom dia menina!”. Ela acenou com a cabeça e foi trabalhar contente.
Definitivamente, pessoas especias são mais normais do que você imagina.

SaiDaqui!