“Tião do Caminhão”, como era conhecido José Antônio Marques Cunha da Silva. Tinha na época, 47 anos de idade. Era caminhoneiro há tantos anos que não sabia fazer outra coisa.
Decidiu que seria caminhoneiro aos 15, depois de assistir um programa na TV em preto e branco que seu pai tinha lhe dado. Queria conhecer esse “Brasilsão” – como ele mesmo dizia.
Não chegou a terminar os estudos. Queria logo por os pés na estrada. Assim que conseguiu sua habilitação, partiu em busca de aventuras. Claro que pensou em desistir várias vezes nos primeiros anos: a vida de caminhoneiro era muito mais difícil do que ele pensava.
Talvez por comodidade, acabou ficando. Sempre dizia que pararia no ano que vem. Até que conheceu Marta. Uma morena jambo magricela, de olhos castanhos e cabelos finos e longos. Casaram-se entre uma viagem e outra de Tião.
Agora, parando pra pensar, Tião se deu conta que já casara há 25 anos, e que tinha 4 filhos lindos com Marta. Sempre que viajava, ele morria de saudade de casa, mas achava demais “a sensação de voltar pra casa”.
Nunca havia tido um acidente. Era motorista muito cauteloso. Dormia o suficiente, dirigia bem atento, nunca bebia ao volante. Não fumava, não usava drogas, nem traía a mulher. Era um homem simples e de bom coração. Precisava de muito pouco para ser feliz.
Gostava muito da vida correta que havia escolhido. Sempre fazia viagens curtas, e evitava passar mais que 10 dias longe de sua família. Mas aquela viagem tinha sido pedido específico do patrão. Seriam 25 dias de sofrimento e saudade.
Com o aperto de dinheiro que viviam, ele não podia dizer não. Até porque, aquele dinheirinho garantiria a reforma na casa que há tanto tempo planejavam.
A viagem estava tranquila. Já era seu vigésimo dia longe da família. “Só mais 5”, pensou Tião.

Enquanto cantava junto ao rádio naquele dia, viu um caminhão fazendo uma ultrapassagem irregular. Ele sabia que não ia dar tempo. Ele sentiu que aquilo ia dar merda. Tentou frear num impulso, mas já era tarde. Os dois caminhões perderam o controle, e por mais que tentassem desviar, o impacto foi muito forte. Caíram serra abaixo, rolaram sabe-se lá quantas vezes. A cada pancada que sentia, um filho lhe vinha à cabeça. Deixou escorrer uma lágrima.
Pensou no gosto do feijão da Marta. Pensou em quanto sentia falta de casa.
O caminhão explodiu. Tião do caminhão morreu incinerado. Com gosto imaginário de feijão caseiro na boca, saudade da família, mas paz na alma.
Agora SAIDAQUI!
Minha criatividade não estava muito boa hoje, e acabei decidindo por postar esse texto antigo, que escrevi em 2008, quando queria terminar com um namorado.
Decidi que tinha que ser em grande estilo. Já que ia pra merda, que fosse com classe.
Eu tinha tanto pra dizer, mas ele nunca me ouvia. Aí, disse simlesmente que não queria mais ficar com ele e entreguei por escrito o seguinte texto:
“No mundo que eu criei, o que eu mais tenho é paz. Todos os meus sonhos viraram realidade, e eu te dei a maioria deles.
Pena que você não soube o que fazer com tudo isso, e desperdiçou no mundo real o que meu futuro te prometera outrora. Eu tropecei feio, e o tombo foi gigantesco.
Mas lá, naquele mundo, não machucou. Só nesse aqui. O de dor real.
Com você dancei descalça, de um jeito que nunca tinha dançado com ninguém mais.
Mas acabou a música. E a dança. Agora vou voltar para lá, na paz de espírito que eu mereço.
Serei fada, sereia, menina, onça, pássaro e cachoeira. Serei o que eu quiser, e livre.
Você, fique por aqui. Com suas verdades mal ditas em forma de brincadeiras erradas. Hoje estou te deixando.
Crie seu próprio mundo se quiser, porque no meu, não há mais espaço para você. Eu te deixo ir, sem rancor, sem pudor, sem fervor.
Apenas vai. Calado e manso, para não deixar gritar a alma, nem o coração. Vai pelo caminho que você quiser ir, e volte pra onde achar que escolheu o caminho errado na bifurcação da vida. Voltar atrás não é feio. É assumir o erro e tentar de novo.
De você fiquei com um pouco, e para você me deixei uma parte. Faça bom proveito. Eu perdoei meus erros, e os seus.
Vou ser feliz, e você também. Só não juntos.
Talvez te veja em outros caminhos. Ou em outros mundos. Ou nunca mais.
Até lá, cuide da sua felicidade. E encontre sua paz. Acredite, você precisa dela.
Eu estou indo atrás da minha. Sem você.”
Acho que peguei meio pesado na época…Mas pelo menos ele entendeu o recado. Rs.
Agora, SaiDaqui!
O que mais me irrita nas pessoas?
Elas próprias, e a capacidade de julgar que se acham no direito de ter. Ser humanozinho infernal aquele que se acha superior, no direito de julgar ações de qualquer outro.
E o pior, é que normalmente são aqueles que erram bastante, e feio. Aqueles que erram demais, e ainda assim são “mais corretos” do que os que os cercam.
Seres que adoram “meter o bedelho” onde não são chamados, que adoram dar palpite na vida alheia. Afinal, vale muito aquele ditado que pimenta no cu dos outros é refresco.
Ninguém tem o direito de julgar suas ações. Certas ou erradas, as ações são suas. E a vida também.
Não se deixe levar por conselhos alheios. Se eles fossem bons, as pessoas não os davam, vendiam.
Não permita que a opinião alheia afete sua capacidade de conhecer a si próprio. Porque a vida é como um filme, visto pelos seus próprios olhos.
O que você faz dela, não é tão importante assim. A importância é a visão que você tem de seus atos; como você vê seu próprio filme!
Pessoas irritantes são aquelas que te julgam ao invés de estender a mão. Nunca se explique! Seus amigos não precisam de explicações, e seus inimigos não precisam da sua satisfação.
A gente é o que a gente quer ser. A gente faz o que acha certo, porque certo e errado não existe. É tudo questão de pontos de vista.
O que eu quero? Quero mais pessoas sinceras e verdadeiras. Quero mais paz. Menos “bedelhudos”. Mais amigos. Menos conselhos. Mais atos compulsórios. Menos programação. Mais entusiasmo. Menos rotina.
Quero mais amor nesse mundo. Mais compreensão. Menos guerra.
Quero poder ser eu mesma. E que você seja você, como quiser ser.
Agora, por favor, SaiDaqui!