Quebrar os pratos

Vivia da arte do silêncio que dói, fazia da indiferença sempre soberana e imperativa. Dar de ombros virou moda em sua vida, e não se importar ficou comum. Mas não era pra ser assim.

Ela não era assim. Sabia, tinha nojo. Dessa gente que não briga, não luta, não xinga, não discorda. Não se acorda, só concorda.

Cansou do marasmo e da poesia barata, sem rima, sem gosto, sem graça. Pegou os acordes todos e jogou no lixo. Fazer uma música sem ritmo pra dançar sem sapatos passou a ser seu maior objetivo.

Quebrou os pratos, só pelo prazer que o barulho e a bagunça lhe causavam na alma. Sentia-se sempre viva quando se jogava do penhasco nos sonhos estranhos que tinha.

Beijou na boca quem mais odiava, só pra tentar entender a linha tênue do amor e do ódio. Contrariou os pais, apenas para ser lembrada.

Cansou de tudo pronto, foi plantar sua horta. Jogou os meios amores no lixo. Preferiu ficar sem nenhum do que ter várias partes.

Deixou espaço pra ter um inteiro. Cabia até uma penteadeira (ok, essa foi péssima).

Trocou o salto alto. A cidade. O namorado.

Deixou as pessoas mal encaradas pra trás. Mexeu com um moço bonito na rua, queimou toda a janta que tinha planejado para os amigos. Saltou de pára-quedas, fez tricot com a avó.

Xingou o chefe, pediu desculpas ao amigo ofendido. Cuidou de si e se importou menos com os outros.

Passou a fazer o que gostava, o que lhe dava vontade. Passou a se amar.

E daí em diante, foi amada por como nunca havia imaginado que alguém conseguiria. Encontrou amor na arte de não mais desapegar-se das pessoas, e sim das coisas.

@amanda_arm dia 4 de julho de 2011
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Pessoas Recorrentes…

Tem gente que não tem jeito. Você pode até tentar fugir. Sair do caminho. Mudar de vida.

Em algum momento, essas pessoas te encontrarão. Eventualmente, reaparecerão em sua vida.

Eu as chamo de pessoas recorrentes. São aquelas “meant to be” na sua vida. Não adianta se esconder.

Todo mundo tem pelo menos uma pessoa assim. Pare pra pensar.

Eu, por exemplo, tenho várias. Algumas ótimas, que simplesmente amo reencontrar, e outras nem tanto.

Tem gente que chama de destino. Tem gente que chama de caminho. Tem gente que chama de sorte (ou azar). E tem gente que chama de coincidência.

Eu sei lá. Deve ser um pouco de cada.

Noite passada adormeci pensando em uma dessas pessoas em minha vida. A Josefa (nome trocado para proteger a identidade da moça – mentira, foi pra deixar o texto mais engraçado mesmo).

Nos conhecemos há muito tempo. 2002 acho. Mal conversávamos. A josefa era só mais uma colega em minha vida.

Morei fora. Nunca mais nos falamos. Voltei. Fui terminar um curso que tinha trancado.

Quem estava lá, na minha classe? A Josefa, gente! Ficamos mais amigas…a relação ficou legal.

O curso acabou. Entrei na faculdade. Mal nos falávamos novamente.

Do nada, a gente se tromba por aí, e volta a sair juntas como se não existisse amanhã. Eu começo a namorar.  Surge ciúmes da Josefa.

Passamos a sair um pouco menos. Meu namoro termina. Quando achamos que podemos nos ver frequentemente de novo, ela começa a namorar. E surge um ciúme absurdo de mim.

Nunca mais nos falamos direito. Apenas um abraço sincero nas raras vezes que nos encontrávamos.

Anos depois, o namoro dela termina.  E nossa amizade não muda em nada.

Eu caso, mudo de emprego e de estado. Não podemos mais nos ver pessoalmente. Mas ainda estamos ali, uma para a outra.

E quer saber? A Josefa vem me visitar em junho. Minha melhor cara de amendoim.

Ela não pode se esconder. Nem eu.

Adoro pessoas recorrentes.

Agora SAIDAQUI!

@amanda_arm dia 24 de março de 2010
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Uma amizade de 15 anos qualquer…

Droga. Odeio quando não consigo dormir porque tem algum assunto me “aporrinhando” os pensamentos. E este em particular, é delicado.

Veio há uns dias, assim meio que do nada, e sinto que não vai ir embora enquanto eu não escrever sobre.

Então meus pêsames queridos leitores, sobrou pra vocês! Hehehe.

Quinze anos não é pouco. E pra quem tem apenas vinte e dois, é MUITO tempo. Esse foi o tempo que durou nossa amizade.

Lembro até hoje, quando eu tirava sarro dele na primeira série por ter uma letra ilegível (confesso que ainda hoje ela continua indecifrável, rs). E quando ele tinha dúvidas sobre matemática, sentávamos juntos pra estudar. Lembro quando ele começou a ter as primeiras dúvidas de cunho sexual, e que comigo ele não tinha o menor pudor ou vergonha de perguntar.

Sempre acabava em muita risada.

Lembro também de quando eu cuidava dele quando ele bebia demais. De como eu era a única que podia dirigir o carro dele. Lembro de cada vez que ele abriu a porta do carro (para eu entrar E sair), de cada música que cantamos juntos no som do carro.

Tínhamos um ritual. TODO santo fim de semana íamos tomar café. Detalhe que eu nem gosto de café, mas sempre ia pela compania dele. E acabava tomando um chocolate. Era nosso festival de besteirices alheias. Falávamos mal dos outros, ríamos das cagadas nossas, e confessávamos as notícias da semana que passou. Naquelas horas a gente nem atendia o celular.

Falando nisso, lembro que tive vários problemas com ex-namorados, que nunca entenderam nossa amizade. Paciência. Sempre passei por cima de todos eles.

Lembro de quando eu ligava pra ele sorrindo toda vez que conhecia alguém legal, e meses depois, chorando sobre o canalha. Lembro até que ele me consultava sobre as meninas que passavam. Eu sempre morria de rir com ele.

Lembro das noites e noites que passamos sem fazer nada porque estávamos sem dinheiro.  Cada uma delas valeu à pena.

Ele nunca esqueceu um aniversário meu. Nem nunca falhou em um presente de Natal sequer. Lembro muito bem como ele me abraçava apertado. Era um carinho que se sentia, sabe?

Por incrível que pareça, eu não sei a data de aniversário dos meus parentes mais próximos, mas JAMAIS vou esquecer o dele.

O tempo sempre passou, e as coisas sempre mudaram. Menos a nossa amizade. Eu sempre achava que aquilo ia ser pra sempre. Como não mudou em nada nem quando morei fora por um ano.

Mas eu estava errada.

Porque nesse mundo, existem pessoas muito ruins. E elas são capazes de tudo. Não citarei motivos, nem pessoas, porque coisas ruins a gente faz questão de tentar esquecer.  Mas resumo da ópera: Ele começou a namorar. E terceiras pessoas alteraram uma história simples, com más intenções, venenosas. E inventaram uma versão totalmente diferente pra namorada dele.  O resultado é o atual: nunca mais nos falamos.

Ele sempre teve um coração de ouro. Gigante. Sei que ele ficou perdido.

Até hoje entendo o lado dele. E o dela. Mas sei lá. Não acho justo nem digno ter que implorar perdão ou se justificar por coisas que não fizemos.

Então sei lá. Acho que tudo isso foi pra dizer que sinto muito a falta dele. MUITO.

tristeza

Agora, por favor, SaiDaqui que eu preciso ficar sozinha pra chorar um pouco.

PS: Agora sim, vou dormir tranquila. Obrigada por me “ouvirem”.

@amanda_arm dia 1 de dezembro de 2009
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O que eu quero!

O que mais me irrita nas pessoas?
Elas próprias, e a capacidade de julgar que se acham no direito de ter. Ser humanozinho infernal aquele que se acha superior, no direito de julgar ações de qualquer outro.
E o pior, é que normalmente são aqueles que erram bastante, e feio. Aqueles que erram demais, e ainda assim são “mais corretos” do que os que os cercam.
Seres que adoram “meter o bedelho” onde não são chamados, que adoram dar palpite na vida alheia. Afinal, vale muito aquele ditado que pimenta no cu dos outros é refresco.
Ninguém tem o direito de julgar suas ações. Certas ou erradas, as ações são suas. E a vida também.
Não se deixe levar por conselhos alheios. Se eles fossem bons, as pessoas não os davam, vendiam.
Não permita que a opinião alheia afete sua capacidade de conhecer a si próprio. Porque a vida é como um filme, visto pelos seus próprios olhos.
O que você faz dela, não é tão importante assim. A importância é a visão que você tem de seus atos; como você vê seu próprio filme!
Pessoas irritantes são aquelas que te julgam ao invés de estender a mão. Nunca se explique! Seus amigos não precisam de explicações, e seus inimigos não precisam da sua satisfação.
A gente é o que a gente quer ser. A gente faz o que acha certo, porque certo e errado não existe. É tudo questão de pontos de vista.
O que eu quero? Quero mais pessoas sinceras e verdadeiras. Quero mais paz. Menos “bedelhudos”. Mais amigos. Menos conselhos. Mais atos compulsórios. Menos programação. Mais entusiasmo. Menos rotina.
Quero mais amor nesse mundo. Mais compreensão. Menos guerra.
Quero poder ser eu mesma. E que você seja você, como quiser ser.

Agora, por favor, SaiDaqui!

@amanda_arm dia 13 de novembro de 2009
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Pessoas, momentos e coisas

Fuçando em meus textos antigos e fotologs abandonados, achei algumas coisas legais. Esse me deu vontade imediata de postar, então lá vai:

Some dance to remember. Some dance to forget.
Certas pessoas, momentos e coisas são completamente inesquecíveis.
Existem aqueles que passam. Aparecem de um jeito “the flash”, e se vão na mesma velocidade. São rápidos, mas deixam rastros definitivos.
Há os que não te deixam. aquelas pessoas que estão há tempos ao seu lado. Esses a gente conhece de olhos fechados, de ponta cabeça e até embaixo d’água.
Momentos decisivos. Momentos comuns, normais, tristes e felizes. Momentos que a gente guarda pra sempre, como uma fotografia dentro da cabeça.
Existem aqueles que nem em mil palavras poderiam ser descritos. Aqueles onde nada é falado, e muito é dito. Aqueles onde se deseja que o tempo pare.
E aqueles tristes? Os que mais fazem doer, apertar, machucar. Esses ensinam. Muito mais do que se imagina.
Por isso, meu espírito se prendeu na infância. E é por lá que eu quero que ele fique. Por muito tempo.
Um dia me trouxeram pra esse mundo adulto. Cheio de intrigas, complicações, preocupações e responsabilidades e frustrações.
E nesse meio-termo de menina e mulher eu me encontrei. Bom, não 100%, mas o suficiente pra dizer que não sou o que você acha. Muito menos o que pareço. Também não sou o que te disseram. E nunca vou ser o que você quer que eu seja.

By @amanda_arm on 16/07/06 – Céu estrelado. Mais lindo que um dia comum poderia mostrar.

@amanda_arm dia 12 de novembro de 2009
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