Princesas só encontram príncipes quando não os procuram

Era a rainha das escolhas erradas, e agora pagava pelos erros de outrora. “Não é justo!” pensava ela enquanto se dava conta que também já fez isso com outros, e sentia corar de vergonha por isso.

Justo agora, que aprendeu a fazer as escolhas certas. Mas como diria sua avó, “a vida não espera que a gente aprenda” e continuava então sua jornada sofrida rumo ao amor.

Aliás, já não acreditava tanto assim que ele ainda existisse. Baseando-se em cálculos estatísticos de todo amor que deu, somado com todo amor que viu outras pessoas doarem, dividido pelo número de vezes que viu esse amor ser jogado fora e subtraindo-se a dor de todos eles que foram embora, o resultado ainda era -1 pedaço em seu coração.

Decidiu que agora ia fazer diferente: Nada de emendar o fim de um relacionamento no começo de outro. Agora ela sabia que precisava, (e no fundo até queria) ficar sozinha. Reinventar-se. Redescobrir-se. Amar-se.

No começo foi bastante difícil: Apegava-se aos amigos e não parava em casa. Não queria sentir aquela solidão toda lhe batendo na cara. A casa era fria e deserta demais.

Até que aos poucos, a “obrigação” em sair de casa tornou-se pura diversão mesmo, e logo ela passou a a conhecer muita gente diferente e divertida.

Mais um tempo, e aceitar sua presença era até agradável. Aproveitava para ler livros, ouvir suas músicas favoritas, fazer alguns trabalhos manuais e escrever suas histórias malucas sobre princesas que só encontravam seus príncipes quando paravam de procurar por eles desesperadamente.

;) SaiDaqui!

@amanda_arm dia 23 de março de 2011
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Príncipes Encantados NÃO existem. Ainda Bem!

Desejava queimar todo e qualquer conto de fadas que falasse de príncipes encantados. Príncipes não existem. Ela bem sabia. Não existem. E ponto final.

Ninguém contou que a Branca de Neve tem quatro filhos impossíveis, um cachorro, e um marido que bebe. Nem que eles vivem tão afastados na floresta, que só vêem civilização uma vez por mês, quando viajam de charrete.

branca_neve

Ela olhava outra vez os sapatos espalhados pela casa. Os vários copos que ele sujara para tomar apenas água. A toalha molhada em cima da cama. A tampa do vaso sanitário levantada. E os restos de comida que se divertiam no chão da sala.

Estava um pouco enraivecida devido aos dias de tensão pré menstrual (TPM = Tocou ou Perguntou, MORREU!), por assim dizer.

Lembrou de quanto caçoaram dela. Do quanto aquela situação era clichê. E notou que amar dá trabalho. “Como é que tem mulher desesperada por isso?” – Disse baixinho enquanto ele dormia.

Pensou que deveriam ensinar na escola como seria a vida pós junção de duas pessoas. Achava cafona pensar que a falta de atitude na maioria dos homens vêm de berço, quando as mães criaram pequenos príncipes incapazes de escolher as próprias roupas, e mais tarde, fritar um ovo.

E quando estava prestes a explodir em hormônios, assistiu-o se contorcendo na cama, virando e procurando-a ao seu lado. Deixou escapar um riso abafado quando percebeu que ele agarrara o travesseiro de modo a sentir seu cheiro mais perto de si.

Respirou fundo, e tomou seu café da manhã pensando em como ela já era nada sem os sapatos espalhados pela casa, os lençóis fora do lugar, o sofá cheio de farelos e ele perguntando onde estava tal coisa sem enxergar que estava sempre embaixo do próprio nariz.

Corrigiu-se: Amar não dá trabalho.

Vestiu-se satisfeita por saber que príncipes encantados não existem. Sentiu que quem ela sempre quis estava ali, dormindo em sua cama. Era realidade (uma realidade que roncava, mas isso não fazia a menor diferença). Ela o amava.

Deu-lhe um beijo de bom dia, e saiu para trabalhar, na esperança de encontrar a mesma deliciosa bagunça quando voltasse.

Agora SaiDaqui!

@amanda_arm dia 20 de abril de 2010
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