Carla era uma moça de família. No estilo classe média, nunca lhe faltou nada: estudou em escola particular, fez faculdade de administração. Teve boa vida, o relacionamento com os pais era bom (não chegava a ser de comercial de margarina, mas era completamente saudável).
Tinha um corpo bonito, cabelos longos e claros. Olhos castanhos, baixa e sempre de unhas vermelhas. Recebeu mesada até os 18, brincou de trabalhar por um tempo.
Mas cansou da monotonia que aquela vida perfeitinha lhe trouxe. Se transformou em um desses casos raros de revolta por ter uma vida boa demais: decidiu que seria puta.
Sim, queria vender seu corpo nas ruas, e por opção (não por falta dela, como a maioria das outras garotas de programa).
Talvez porque tenha sido a maneira encontrada de sentir emoções fortes.
Talvez pela tara, pela ânsia de ter contigo a cada noite pessoas diferentes, novas histórias para contar e uma vida inteira para se arrepender depois.
Acho até que ela gostava da ideia de um dia se arrepender, casar, ter filhos e vergonha nenhuma de contar suas histórias nas ruas.
Falar detalhadamente de cada homem que a possuiu, quanto pagavam por ela em sua época e de todas as dores e prazeres que sentiu. Do luxo que nunca lhe faltou, das escolhas que fez e do dinheiro que ganhou. De tudo que aprendeu na cama. De todos os orgasmos que fingiu, de todo tipo de gente para quem deu.
Por hora, era aquela vida que queria. Trabalhava quando tinha vontade, já que dinheiro não era o problema. Só transava com os clientes que considerava atraentes. E gozava todas as vezes.
E foi assim, sendo puta por diversão, que Carla encontrou felicidade.
Simples para ela, complexo demais para a sociedade. Como tudo em que vivera até então.
SaiDaqui!
- Oi. É…Tudo bem?
- Se estivesse tudo bem eu não estava aqui né? Desembucha meu filho, o que tu tá querendo essa noite?
- Na verdade, eu…Eu queria era conversar mesmo.
- Conversar? Tu queria ir num psicólogo e acabou no puteiro?
- Eu realmente gostaria de conversar essa noite. Quanto fica?
- Não vai ter nada de putaria? Nada de sacanagem? Neca de pitibiriba?
- Não. Só conversa mesmo. E você escolhe o lugar.
- Tá. Pare tudo. Você está dizendo que veio me procurar, pra conversar e eu ainda posso escolher um lugar que não seja um motel pulguento?
- Exato. Quanto fica?
- Você é gay?
- Não, eu não sou gay. Eu apenas tenho vontade de conversar com alguém desconhecido. Pode ser ou tá difícil?
- Você é quem manda. Mas vai ficar R$200,00. Sabe como é né? Serviço de psicóloga sai mais caro.
- Feito. Entre no carro.
(minutos constrangedores se passam)
- E aí? Pra onde vamos? Eu disse que tu pode escolher.
- Na verdade eu estou com fome. Poderíamos comer algo enquanto conversamos?
- Absolutamente. Em qual restaurante quer ir?
- Restaurante? Não, não. Olhe como estou vestida. Vamos apenas passar no Drive Trhu do Mac Donald’s ali mesmo.
- Você é quem sabe.
(comeram em silêncio. Ela não conseguia disfarçar o quanto aquela situação a deixava constrangida)
- Isso tudo é muito estranho.
- O que é estranho? Eu querer apenas conversar contigo?
- É. O fato de eu não ter que falar besteiras no seu ouvido, nem fazer sacanagem com seu pau enquanto tu nem olha pra minha cara é muito diferente do que eu estou acostumada. Ficar constrangida por NÃO ter que fazer putaria. Estranhamente não saber o que dizer a não ser relacionado à sexo.
- Qual o seu nome?
- Agatha.
- Seu verdadeiro nome.
- É Maria. Mas por favor, não conte pra ninguém. Podemos ir pra um local mais calmo? Não gosto de ficar em carros. Tem um motel aqui perto. Não é caro, nem muito ruim.
(ele liga o carro, segue as instruções da moça e chegam no local. Ele abre a porta do carro, deixa ela ir na frente, e ao entrarem, ela não aguenta e lhe tasca um beijo)
- Porque você fez isso? Você sabe que não precisava. Eu só te contratei pra conversarmos…
- Shh. Eu sei. Tô fazendo isso porque eu QUERO. Esquece ate do pagamento. Essa noite eu não sou puta. Hoje vou ser SUA MULHER. Vou dar pra você porque eu estou com vontade. Porque você fez por merecer.
Começaram a se beijar levemente, com lábios que mal se tocavam, atiçando cada vez mais o prazer e a vontade de ambos. Periodicamente, os beijos ficavam mais intensos e carnais. Até estarem quase gemendo de prazer apenas com o beijo.
Ele a pegou no colo e deitou-a na cama. Enquanto beijava cada centímetro de seu corpo, tirava as poucas peças de roupa que a cobriam, e ela segurava seu pau com tanto fervor e vontade que ele sentia vontade de gozar só com o toque dela.
Tiveram as melhores preliminares da vida de ambos, e transaram como adolescentes enlouquecidos, mortos de desejo um pelo outro.
Após terminados, seguiram vários momentos de carícia silenciosa, até que ela não se aguenta de curiosidade e pergunta:
- Sobre o que você queria conversar quando me contratou?
- Nada. Não…Não era nada.
- Como nada? Não minta pra mim. Ainda podemos conversar. Aliás, agora mais ainda que podemos conversar. Estamos conectados.
- Melhor deixar pra lá.
- Não. Agora eu quero saber. Fale!
- É que…Eu queria conversar sobre uma puta por quem havia me apaixonado…

Pois é amigos leitores. Acontece. Agora SaiDaqui!
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