Sonhos.
Tão leves que parecem feitos da mistura de todas aquelas vontades absurdas que a gente tem quando menos se espera. Têm um gosto de errado às vezes, como se fosse proibido sonhar tão alto.
Tão intensos, capazes de mudar nosso rumo e nossos caminhos só para alcançá-los mais rápido.
Tão deliciosos que podem causar sensações jamais provadas. Físicas ou não.
Trazer um sonho do nosso baú de vontades para a vida real é como provar ao mundo que somos sim o dono dele. E que podemos TUDO que nos propusermos a conseguir.
Capazes de acalmar o espírito, trazer a sensação adocicada para a vida e uma paz que só um sonho em mão pode causar.
Sonhos.
Nos sabores creme, chocolate, doce de leite ou goiabada. Coberto com açúcar e vendido também em padarias.
Agora SaiDaqui

Trabalhando com um roteiro de sua própria autoria, e que encontra ecos em toda a sua filmografia, o cineasta Christopher Nolan nos apresenta a seu personagem principal, Don Cobb (Leonardo DiCaprio), um ladrão profissional especializado em subtrair segredos industriais diretamente do subconsciente das suas vítimas, por meio dos sonhos.
Cobb e seu parceiro, Arthur (Joseph Gordon-Levitt), são contratados pelo misterioso Saito (Ken Watanabe) para realizar um serviço diferente do que estão habituados e, teoricamente, quase impossível: inserir uma ideia no subconsciente do bilionário Robert Fischer (Cillian Murphy).
Trabalhando com uma equipe bem eclética, que conta ainda com a arquiteta Ariadne (Ellen Page), o químico Yusef (Dileep Rao) e o “falsificador” Eames (Tom Hardy), Cobb esconde de seus companheiros um segredo potencialmente letal, algo que remete a uma tragédia envolvendo sua esposa, Mal (Marion Cotillard).
Nolan fez algo raro para os realizadores contemporâneos (de qualquer arte), que é confiar na inteligência de seu público, acreditando que este é capaz de compreender uma obra que não tenta se explicar a cada dez minutos.
Do ponto de vista técnico, o longa é virtualmente perfeito. Lidando com diversos níveis de realidade, seria fácil para o espectador se perder durante a película. Nesse sentido, aparece a genialidade de Nolan e a competência e dedicação do montador Lee Smith, que conseguem tornar a narrativa do filme não apenas compreensível, como também irresistível.
DiCaprio surge em cena como um homem competente, mas fragilizado. Tal fragilidade não surge não apenas como efeito colateral de seu ofício, mas principalmente por suas experiências pessoais.
Marion Cotillard também surge honrando sua a missão de retratar em cena uma clássica e sedutora femme fatale que é, ao mesmo tempo, uma tentação, uma ameaça e um objetivo para Cobb.
Os demais personagens podem não ser tão desenvolvidos, mas não deixam de ser interessantes. Joseph Gordon-Levitt e Ellen Page, além de dividirem uma ótima cena, possuem uma excelente química com DiCaprio, sendo os laços mais constantes de Cobb durante a trama. Page, em especial, divide dois momentos fabulosos com o protagonista. Tom Hardy transforma seu Eames em um adorável canalha e Ken Watanabe surge soberbo como o misterioso Saito. Cillian Murphy aparece um tanto quanto passivo durante boa parte do filme, mas tem seu momento ao sol durante o terceiro ato da produção.
Christopher Nolan segue sem erros em sua carreira como cineasta e “A Origem” deve ser lembrado não apenas como um dos melhores filmes de 2010, mas também como um dos blockbusters mais inteligentes e originais da história do cinema. Há um pouco de Don Cobb em cada cinéfilo, principalmente quando a nossa realidade se torna menos atraente que a ficção. Altamente recomendado.
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