Desejava queimar todo e qualquer conto de fadas que falasse de príncipes encantados. Príncipes não existem. Ela bem sabia. Não existem. E ponto final.
Ninguém contou que a Branca de Neve tem quatro filhos impossíveis, um cachorro, e um marido que bebe. Nem que eles vivem tão afastados na floresta, que só vêem civilização uma vez por mês, quando viajam de charrete.

Ela olhava outra vez os sapatos espalhados pela casa. Os vários copos que ele sujara para tomar apenas água. A toalha molhada em cima da cama. A tampa do vaso sanitário levantada. E os restos de comida que se divertiam no chão da sala.
Estava um pouco enraivecida devido aos dias de tensão pré menstrual (TPM = Tocou ou Perguntou, MORREU!), por assim dizer.
Lembrou de quanto caçoaram dela. Do quanto aquela situação era clichê. E notou que amar dá trabalho. “Como é que tem mulher desesperada por isso?” – Disse baixinho enquanto ele dormia.
Pensou que deveriam ensinar na escola como seria a vida pós junção de duas pessoas. Achava cafona pensar que a falta de atitude na maioria dos homens vêm de berço, quando as mães criaram pequenos príncipes incapazes de escolher as próprias roupas, e mais tarde, fritar um ovo.
E quando estava prestes a explodir em hormônios, assistiu-o se contorcendo na cama, virando e procurando-a ao seu lado. Deixou escapar um riso abafado quando percebeu que ele agarrara o travesseiro de modo a sentir seu cheiro mais perto de si.
Respirou fundo, e tomou seu café da manhã pensando em como ela já era nada sem os sapatos espalhados pela casa, os lençóis fora do lugar, o sofá cheio de farelos e ele perguntando onde estava tal coisa sem enxergar que estava sempre embaixo do próprio nariz.
Corrigiu-se: Amar não dá trabalho.
Vestiu-se satisfeita por saber que príncipes encantados não existem. Sentiu que quem ela sempre quis estava ali, dormindo em sua cama. Era realidade (uma realidade que roncava, mas isso não fazia a menor diferença). Ela o amava.
Deu-lhe um beijo de bom dia, e saiu para trabalhar, na esperança de encontrar a mesma deliciosa bagunça quando voltasse.
Agora SaiDaqui!
Todas as minhas melhores inspirações sempre surgem em conversas de bar, e esta não podia ser diferente. Ontem à noite, já depois de alguns chopps num boteco deliciosamente movido à samba aqui de Porto Alegre (o Dona Neusa), e lá estava eu, travando conversas absolutamente intrigantes e socialmente profundas…
Eis que exponho um assunto que vem me açoitando os pensamentos: como é chato viver em um mundo onde cada vez mais, educação é exceção.
E não, eu não refiro-me à educação escolar, pois essa, todos nós já sabemos que anda um caos por aqui. Infelizmente.
Eu falava de educação de berço. Aquela que devia vir de pais e mãe. Educação básica de ser humano.
Aquela que pelo menos em teoria, é o básico e esperado de alguém. Mas que está se tornando cada vez mais rara.
Aquela educação de pedir licença, dizer obrigado, desejar bom-dia, respeitar os idosos, não brigar em filas, não agredir ninguém por aí, ajudar quem tem dificuldades ou simplesmente não ser desrespeitoso.

O problema é que às vezes nem os próprios educadores ligam pra isso. Que exemplo tem alguém cujos pais são extremamente mal educados? E não precisamos ir longe. Porque não é necessário ser pai para dar bons exemplos.
Tenho um medo absoluto de ser mãe. Medo do mundo que meu filho viveria, sinceramente. Mas esse é um tema pra outro texto.
Sei lá. Às vezes me pego pensando em que exemplos estamos passando para as futuras gerações. Claro que eu erro, e nem sempre estou de bom humor (maldita TPM, hehehe) – mas sei que tento meu melhor. E você? Já desejou pelo menos um bom dia para alguém hoje?
SaiDaqui e vá fazer sua parte!