Segundas

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Segundas.

Elas têm gosto de recomeço, a começar pelo próprio nome: um sabor de nova chance para fazer diferente, agora do jeito que teríamos feito se soubéssemos tudo o que sabemos hoje.

Trazem um misto do frescor da esperança com a firmeza da fé. A crença silenciosa de que novos caminhos se abrem quando a gente escolhe caminhar diferente. A vontade de agir de outro jeito só porque o calendário virou a página. A urgência bonita de corrigir rumos, de abandonar o que já não cabe, para dar espaço ao novo — ao belo da possibilidade de simplesmente ser, e bastar.

Dar vazão à imensidão de ser quem se é, sem pressão e sem filtros. Sem soberba, sem ego. Apenas permitir-se inundar por tudo aquilo que faz o coração acelerar e o riso escapar sem aviso. Escancarar as portas para o prazer de sentir a vida nos detalhes, de reparar no que pulsa, no que chama, no que faz vibrar.

Querer mais vida. Mais tempo. Mais afeto.

Ter a coragem de existir sem pedir licença. O atrevimento de ocupar o próprio espaço. O prazer quase travesso de incomodar os covardes que vivem aprisionados em caixas invisíveis feitas das expectativas dos outros, enquanto a gente dança descalço na chuva e põe a língua para fora só para sentir o gosto dos pingos.

Abraçar a nova oportunidade, o novo afeto, a nova coragem.

Amar as segundas. Sejam elas feiras ou chances.

autor: Amanda Armelin

Bocuda, nerd, tatuada. Trator na cozinha e na vida. Sempre inundada de afeto e coragem.

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