Aeroportos são minha casa

 

Só consigo ser eu mesma em aeroportos.

Parece que é só ali, no lugar onde todas as emoções são extremas  é que eu me sinto em casa.

O sentimento familiar e diário de ter borboletas do bem e escorpiões do mal dançando juntos e o tempo todo dentro do estômago paira no ar, que fica rarefeito de tanta emoção contida.

Aquele misto de gente feliz e triste: com chegadas, partidas, despedidas e sonhos quebrados. Com esperança renovada, abraços apertados e lágrimas escorridas.

Gente que chora baixinho, cheio de vergonha que os outros reparem.

Gente que chora alto e deliberadamente, tentando expulsar demônios de saudades que virão ou acabaram de ir embora.

Gente que não chora, mas fica ali: melancólica pra esperar que as coisas mudem. Sofrendo em silêncio com dor de estômago, morrendo de vontade de gritar alguma coisa pra ver se passa.

Gente que desiste de seus próprios sonhos para ver os de outra pessoa se tornar realidade. Essa gente que ama incondicionalmente e sabe ser feliz ao fazer alguém sorrir.

Gente que corre atrás de sonhos e vai embora contra a vontade de todo mundo.

Gente que se arrepende e volta atrás.

Gente nervosa, que não queria ter vindo. Engravatados bufantes, por vezes bravos porque não entendem lhufas do que falam por ali.

Plaquinhas com os nomes mais variados: Na minha fantasia, um dia terá uma para mim. Com um pedido de casamento, uma declaração de amor, uma mensagem de saudade ou apenas meu nome. Só pela emoção de me sentir especial.

Como quando me senti aquela vez que a família toda foi me esperar no aeroporto, depois de um ano longe (inclusive meu avô, doente).

Ou como aquela vez que minha mãe montou aquela faixa gigante, aquele chapéu ridículo e aquele comitê de boas vindas fantasiados de duendes, depois de quatro meses sem me ver (era Natal).

Ou quando eu vi aquela moça com cara de “ué” enquanto crianças desconhecidas a traziam rosas. Ao olhar pela escada rolante, um moço descia com um pacote em mãos e a pedia em casamento (nem era comigo e parece que o mundo parou ali).

Enfim: aeroportos são mágicos. Trazem em si toda a dor e a delícia do que eu passo constantemente dentro de mim. Feels like home to me. 

SaiDaqui!

autor: Amanda Armelin

Bocuda, nerd, tatuada. Cervejeira de carteirinha e louca por cachorros (principalmente bulldogs). Além do sorriso no rosto, mantém paixão absoluta por bacon e sexo.

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