Estamos pobres

Leia esse texto ao som dessa música.

exist

“Nossa geração é pobre em sinceridade”. Seria só mais um tweet aleatório na minha TL se não fosse tão honesto – e preocupante. De fato, tenho lido por aí que nas novas “regras implícitas de relacionamento”, ganha quem demonstra menos. Mas ganha o quê? Onde está a glória em ter orgulho de não dizer e mostrar o que sente?

Até entendo o sentido de autopreservação (ninguém quer ser feito de idiota), mas, será que ao tentar reprimir tanta coisa, não perdemos grandes oportunidades e acumulamos os “e se…” dentro do peito? A qual custo vale à pena tentar não sofrer? Desde quando ter sentimentos e demonstrá-los virou sinal de fraqueza e vulnerabilidade? A gente tem transformado o amor em indiferença.  

Apegamo-nos quase sempre aos caminhos da omissão, justificando pequenas mentiras com desculpas esfarrapadas e histórias mal contadas, sem perceber como elas destroem alicerces de confiança (ainda em construção) em questão de segundos.

Nessa tentativa absurda de levar uma vida moderna, ninguém quer assumir o papel ultrapassado de ser a pessoa que se interessa mais do que a outra na relação. Desde situações mais simples, como um bom dia no whatsapp a outras mais complexas, como se abrir ou dar satisfação: parece haver sempre uma barreira que nos impede de agir espontaneamente, levando-nos a um calculismo prévio para cada movimento e proporcionando um desgaste imenso e desnecessário.

Isso porque, basicamente, os relacionamentos modernos sustentam-se em jogos psicológicos tão subliminares e infundados que não servem para outra coisa senão encher nossas cabeças de minhocas e fazer-nos desistir cada vez mais rápido de tentar encontrar algo verdadeiro e duradouro. Parece que desistimos sempre antes mesmo de tentarmos de verdade.

Fato é que o medo da entrega tem nos levado ao ridículo da covardia amorosa.

Se após os primeiros encontros rolar demonstração de intimidade, a primeira resposta é correr. Carinho em público? Nem pensar. Falar sobre uma música que te faz lembrar de vocês dois? Brega. A simples ideia de demonstrar te enche de calafrios só pela possibilidade de uma recíproca que não virá. Pior: quantas vezes culpamos o timming como desculpa pra não viver algo? A opinião alheia? Puta que pariu, e pra quê?

Por favor, gente! Confessar amor não é sentença de morte: é simplesmente amar. Não é bicho de sete cabeças, parem de inventar complicômetros. E se vale o conselho de quem há muito demonstra (mesmo que às vezes tenha seu coração quebrado por isso, tem orgulho de carregar pouquíssimas oportunidades perdidas no caminho), queira mais. Faça mais. Seja mais. Demonstre tudo, diga a verdade sempre (mesmo quando doer).  Se der medo, vai com medo mesmo. Se quebrar a cara, aprenda com isso e siga em frente. Em resumo, deixe pra ser frio quando morrer: enquanto vivo, exist loudly.

 

autor: Amanda Armelin

Bocuda, nerd, tatuada. Cervejeira de carteirinha e louca por cachorros (principalmente bulldogs). Além do sorriso no rosto, mantém paixão absoluta por bacon e sexo.

compartilhe esse post