Intensos de cama

Gustavo e Manu namoravam há um ano.

Ele, alto, magro, de barba por fazer, duas tatuagens nos braços e um temperamento dócil, tinha vergonha de assumir seus sentimentos e uma certa dificuldade de demonstrar afeto em público. Era orgulhoso e tinha sérios problemas em pedir desculpas.

Ela, mediana, com problemas de auto-estima e uma briga eterna com espelhos e balanças, tinha um sorriso sempre aberto e se alimentava de abraços. Não tinha problemas em dizer o que sentia e roía as unhas por ser extremamente ansiosa. Cabelos longos, pés bonitos e uma vergonha absurda de seu corpo.

Se davam bem. Era um namoro calmo e tranquilo. Tudo clichê e meio termo: e pra ser sinceros, assim o gostavam. Viviam ocupados, e talvez o dia-a-dia tenha tomado conta da relação, meio que sem querer.

E até aí tudo bem, desde que o sexo fosse incrível.

Porque nisso, nunca se acalmaram. 365 dias juntos, e o fogo sexual ainda era de primeira semana de namoro. Viviam apertados, mas sempre sobrava um trocado para um gel novo, uma lingerie provocante ou uma camisinha diferente, que fosse.

Transavam quase todos os dias, sem pudor, sem vergonha e sem tabus. Agradavam-se mutuamente, e sempre queriam mais. Por mais que já tivessem feito aquela posição dezenas de vezes, conseguiam fazer com que cada vez fosse especial.

Na maioria das vezes gozavam juntos: não demoravam nem demais, nem de menos. Ela gostava de gemer, ele gostava de bater. Ele adorava ser amarrado e ela, tirar a roupa sem que ele pudesse tocá-la.

Vendavam-se, amarravam-se, tocavam-se e incluiam tudo que a imaginação deixasse no que tivesse a ver com sexo: comidas, bebidas, lugares, posições. Tudo que fosse de agrado de ambos, era bem vindo.

Ele adorava o oral que ela fazia e ficava louco quando ela ficava de quatro e o olhava com cara de quem quer ser dominada. Ela arranhava e gemia sem medo toda vez que ele a penetrava o máximo que conseguia.

Não podiam negar: eram muito felizes no sexo.

E quando acabavam a selvageria deliciosa que inventavam e reinventavam diariamente, voltavam ao seu amor tranquilo e calmo, de dormir de conchinha, andar de mão dada no shopping e dar no máximo um selinho em público.

E assim viviam: imaginando se as pessoas desconfiavam de tudo aquilo que faziam na cama e como eram intensos pelo menos ali, entre quatro paredes.

SaiDaqui!

autor: Amanda Armelin

Bocuda, nerd, tatuada. Cervejeira de carteirinha e louca por cachorros (principalmente bulldogs). Além do sorriso no rosto, mantém paixão absoluta por bacon e sexo.

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